O empresário argentino Luis Grande, dono da companhia aérea Baires Fly, disse à agência AFP que o voo usado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para deixar a região da fronteira com o Brasil foi contratado e pago por um intermediário do setor aeronáutico, a partir de uma conta nos Estados Unidos, segundo reportagem de O Globo publicada às 0h03 desta sexta-feira (30). Ele não revelou quem estaria por trás do pagamento.
O que diz o empresário
Em conversa por telefone, de um apartamento que possui na Flórida, Grande afirmou ter sido contratado por um broker que conhece há dez anos, que vende voos e mora nos Estados Unidos. Segundo o relato publicado por O Globo, esse intermediário, que tem dupla nacionalidade argentina e americana e cuja identidade o empresário se recusou a informar, transferiu US$ 150 mil (cerca de R$ 800 mil, na conversão do jornal) de uma conta bancária americana de sua empresa para um banco argentino.
Grande disse não conhecer quem contratou o intermediário e afirmou que o próprio broker também não conhecia essa pessoa antes da operação. Segundo ele, o voo foi pedido primeiro para a segunda-feira e depois adiado para a tarde de terça; Flávio e a família partiram após a meia-noite do aeroporto de Puerto Iguazú, na fronteira com o Brasil, depois de passar pelo controle migratório por terra, de acordo com autoridades argentinas citadas na reportagem. O jornal lembra que a existência do broker já havia sido noticiada pelo jornal argentino Perfil, com fontes anônimas.
O que se sabe e o que não se sabe
- A AFP viu um documento do voo segundo o qual Flávio embarcou com passaporte italiano, informa O Globo. Ainda não se sabe como ele foi de Brasília até a região de fronteira.
- O chefe de gabinete do presidente argentino, Javier Milei, afirmou que a decolagem ocorreu com documentos em dia e sem impedimento da Interpol.
- O New York Times e o Wall Street Journal publicaram que o avião teria sido contratado por Jason Miller, assessor de Donald Trump; a Casa Branca não se pronunciou, segundo a reportagem. O que o empresário descreve (um broker intermediário) não confirma nem desmente essa versão. Veja a matéria sobre a versão dos jornais americanos.
- Os Poderes não teve acesso a documentos bancários ou contratos do voo e não localizou manifestação de Flávio Bolsonaro sobre o pagamento. A informação vem de um único relato, o do dono da empresa, reproduzido pelo jornal e pela AFP.
O contexto
Flávio, derrotado por Lula (PT) no segundo turno, não reconheceu o resultado e afirmou que vai liderar a oposição a partir dos Estados Unidos. A reportagem diz que Donald Trump afirmou não ter tomado partido na eleição, mas que viu o que acontecia no Brasil e que “foi uma vergonha”, sem esclarecer o que classificou assim, e que ele evitou responder se reconhece a vitória de Lula. Um interlocutor de Lula disse ao jornal que o governo brasileiro considera conveniente, por ora, não polemizar com os EUA sobre Flávio. O caso é acompanhado na matéria principal.






















