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Fim da 6×1 e cesta básica lideram prioridades para Lula 4, mostra Quaest

Primeira pesquisa Quaest após a reeleição mostra empate entre otimistas e pessimistas com a economia, aprovação de 48% e expectativa de mais conflito com o Congresso.

O presidente Lula, de pé e com microfone, discursa ao lado de bandeiras do Brasil e da Presidência, em reunião com ministros no Palácio do Planalto

O presidente Lula discursa em cerimônia no Palácio do Planalto, em 10 de setembro de 2026. Foto de arquivo: Lula Oficial — CC BY-SA 4.0. A imagem não registra a pesquisa. Origem da fotografia. Condição de uso.

O fim da escala de trabalho 6×1 e a isenção de impostos sobre a cesta básica são as promessas de campanha que os brasileiros mais querem ver cumpridas no quarto mandato de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mostra a pesquisa “O Brasil depois das urnas”, do instituto Quaest, divulgada neste domingo (8). Entre 15 compromissos listados, 17% apontaram a redução da jornada como a mais importante e 16%, a desoneração dos alimentos básicos. Com margem de erro de dois pontos percentuais, as duas estão empatadas tecnicamente.

Ficha técnica

A Quaest fez 2.004 entrevistas presenciais com eleitores de 16 anos ou mais, de 30 de outubro a 2 de novembro, com margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos e nível de confiança de 95%. A contratante da pesquisa está identificada no bloco de fontes. O número de registro não foi localizado nas informações apuradas pelo OsPoderes. Como a coleta terminou em 2 de novembro, ela não mede o efeito de fatos posteriores.

O que os eleitores querem primeiro

  • Fim da escala 6×1: 17%.
  • Imposto zero na cesta básica: 16%.
  • Valorização do salário mínimo: 11%.
  • Pacto contra o Feminicídio: 10%.
  • Ampliação do Farmácia Popular, com teleconsultas e exames gratuitos: 8%.

Nenhuma das demais promessas passa de 7%. O novo Ministério da Segurança Pública foi apontado por 2%. A cesta básica tem data para mudar: com a reforma tributária, os alimentos básicos passam a ter imposto zero a partir de 1º de janeiro de 2027. Já a PEC que reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas, com duas folgas obrigatórias, foi aprovada pelo Senado em 14 de outubro; o debate sobre a aplicação da nova regra segue no Supremo, como mostra a audiência de conciliação marcada para terça-feira (10).

Expectativa econômica empata

Pela primeira vez na série da Quaest durante o terceiro mandato de Lula, otimistas e pessimistas com a economia empataram: 39% esperam que a economia melhore nos próximos 12 meses e 39% esperam que piore; 19% acham que ficará como está. Em agosto, antes da eleição, eram 46% de otimistas e 24% de pessimistas; um ano atrás, 42% e 35%.

O pessimismo se concentra entre os eleitores de renda mais alta, os mais escolarizados e os moradores do Sul. Entre quem ganha mais de cinco salários mínimos, 49% esperam piora e 30%, melhora; no Sul, 58% esperam piora e 24%, melhora. Entre os que recebem até dois salários mínimos, 48% projetam melhora e 29%, piora; no Nordeste, o placar é de 50% a 25%. O recorte político pesa: 79% dos lulistas esperam melhora, enquanto 84% dos bolsonaristas preveem piora (eram 38% em agosto).

Em um balanço geral, 48% dizem estar mais preocupados do que otimistas com o futuro do país e 44%, mais otimistas, a menor distância da série iniciada em outubro de 2022. Entre os preocupados, 27% apontam como motivo principal a economia, os gastos, a dívida pública e os juros; segurança pública aparece em seguida, com 17%, e corrupção e relação com o Congresso empatam em 12%. Sobre o tema fiscal, veja o que o governo estuda e o que descarta no ajuste das contas.

Aprovação e Congresso

Lula começa o novo mandato com 48% de aprovação e 44% de desaprovação, saldo positivo de quatro pontos. Segundo a comparação feita pela própria Quaest com levantamentos do Datafolha logo após cada reeleição, é o menor saldo entre os presidentes reeleitos: em dezembro de 2006, Lula tinha saldo de 38 pontos; Dilma Rousseff, 18 pontos em dezembro de 2014; e Fernando Henrique Cardoso, 10 pontos em dezembro de 1998. Até 2014 a pergunta era sobre avaliação, de ótimo a péssimo, e o instituto converteu os resultados em aprovação.

Para 70% dos entrevistados, o novo mandato terá mais conflito com o Congresso do que o último ano do atual governo, e 18% esperam menos. Em dezembro de 2022 eram 48% os que previam mais conflito, mas a pergunta comparava o novo governo ao de Jair Bolsonaro. Independentemente do voto, 94% afirmam torcer para que Lula faça um bom governo.

Lisura das eleições

A pesquisa também perguntou sobre o processo eleitoral: 61% acreditam que as eleições foram limpas e justas, e 30% que houve fraude; 9% não sabem ou não opinam. Entre os lulistas, 96% veem eleições limpas; entre os bolsonaristas, 93% dizem que foram fraudadas. O TSE atestou a integridade do processo. Outros resultados do levantamento, sobre a viagem de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos, estão em matéria própria.

Foto de arquivo de Lula em cerimônia no Palácio do Planalto, em setembro de 2026; a imagem não registra a pesquisa.

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