O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse nesta terça-feira (3), dia das eleições de meio de mandato, que ele e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, combinaram o fim do repasse anual de US$ 4 bilhões do governo americano a Israel e que, “até o final deste ano”, os EUA não farão mais esses pagamentos. A declaração foi dada ao programa Fox and Friends, da Fox News, segundo a CNN Brasil e o g1. O gabinete de Netanyahu não havia comentado até a publicação das duas reportagens.
O que Trump disse
Segundo a CNN Brasil, Trump afirmou que Israel “não precisa mais” do dinheiro e que democratas e políticos de esquerda usam o financiamento como argumento contra os republicanos. “Já concordamos que, até o final deste ano, não faremos mais pagamentos. Agora, ajudaremos se eles precisarem”, disse, segundo a emissora, acrescentando que Israel poderá comprar armas americanas. O g1 registra a mesma fala e descreve o anúncio como o fim da ajuda em 2027; a CNN Brasil o descreve como o fim dos pagamentos após o final deste ano. Os dois textos reproduzem as mesmas palavras do presidente.
O que não está claro
A CNN Brasil diz que não ficou claro a que financiamento Trump se referia. A Reuters, citada pelo g1, lembra que o acordo vigente prevê cerca de US$ 3,8 bilhões em ajuda militar anual dos EUA a Israel e vence em 2028. Pelos dados do Serviço de Pesquisa do Congresso (CRS) citados pela CNN Brasil, os EUA destinaram US$ 3,8 bilhões a Israel no ano fiscal de 2025: US$ 3,3 bilhões em assistência militar e US$ 500 milhões para defesa antimísseis. As duas reportagens não citam documento nem comunicado dos governos americano ou israelense que detalhe o suposto acordo, e a data de entrada em vigor depende da leitura da fala de Trump.
Contexto
Em maio, em entrevista à CBS, Netanyahu disse esperar que Israel deixasse de depender do apoio militar americano em uma década e, em carta de junho a um congressista, escreveu que havia chegado a hora de Israel “passar de receptor de ajuda a parceiro”, segundo a CNN Brasil. O apoio público a Israel nos EUA caiu desde o início da guerra em Gaza, em 2023, sobretudo entre democratas: pesquisa da Universidade Quinnipiac de junho mostra que 48% dos eleitores e 66% dos democratas acham que os EUA apoiam Israel em excesso, contra 16% e 20% quando a pergunta foi feita pela primeira vez, em 2017.
Canadá e a eleição
Na mesma entrevista, segundo o g1, Trump disse estar perto de fechar um acordo com o Canadá após a escalada de tarifas entre os dois países; em estados que fazem fronteira com o território canadense, como Michigan e Maine, as tarifas desagradam e são usadas pelos democratas na campanha. O g1 também registra que a aprovação do governo Trump se mantém em 32% às vésperas da eleição. A declaração sobre Israel vem no dia em que a Câmara dos Representantes, 35 das 100 cadeiras do Senado e 36 governos estaduais estão em disputa; veja o acompanhamento das midterms. Na véspera, segundo o Wall Street Journal, os EUA teriam atacado a ilha iraniana de Qeshm.
Texto escrito às 12h20 de 3 de novembro, com base nas reportagens da CNN Brasil (publicada às 10h33) e do g1 desta terça. A fala de Trump é a única fonte do suposto acordo; não houve confirmação do governo de Israel nas duas reportagens.






















