O presidente nacional do PT, Edinho Silva, afirmou ao Poder360, em entrevista publicada nesta terça-feira (3), que o eventual impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal “enfraqueceria a democracia” e as instituições, e que o partido não vai aderir a “iniciativas oportunistas” nesse sentido. Ele disse que o PT defende uma reforma do Judiciário, mas que isso não equivale a apoiar o afastamento de magistrados.
STF e reforma do Judiciário
Edinho lembrou que o 8º Congresso do PT, em abril de 2026, aprovou como prioridades tanto a reforma política e eleitoral quanto a do Judiciário, e disse que a posição vem sendo construída desde 2025, não sendo uma reação às circunstâncias atuais. O impeachment de ministros do Supremo, principalmente de Alexandre de Moraes, é defendido por senadores de direita, segundo o Poder360, que registra que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), disse em 1º de setembro que tantos pedidos contra os magistrados “não é normal”, mas não dá sinais de que pretenda abrir um processo. A posição de Tereza Cristina e de Rogério Marinho sobre a pauta, na disputa pelo comando da Casa, está na matéria sobre a eleição no Senado.
Passaporte de Flávio Bolsonaro
Sobre a apreensão do passaporte do senador Flávio Bolsonaro, que, segundo o Poder360, a Polícia Federal pediu sete minutos depois de proclamado o resultado da eleição presidencial de 25 de outubro, Edinho avaliou que, “exclusivamente do ponto de vista político, e não jurídico”, a decisão talvez tenha sido “inoportuna” naquele momento. Para ele, teria sido mais adequado esperar a consolidação do resultado e, depois, adotar as medidas cabíveis, embora “o tempo” possa ajudar a compreender por que a medida foi tomada naquela hora.
Dosimetria, Congresso e juros
- Dosimetria: a prioridade do PT segue sendo a defesa da democracia, e qualquer diálogo sobre a dosimetria das penas dos condenados pelo 8 de Janeiro, se ocorrer, deve se dar “em ambiente de pacificação nacional”, disse Edinho. Veja o cálculo sobre a pena de Bolsonaro.
- Câmara e Senado: o PT fechou apoio, em 27 de outubro, à reeleição de Hugo Motta na Câmara e tende a apoiar a de Alcolumbre no Senado, desde que isso reúna o campo democrático contra o que chamou de candidatura de “inspiração fascista”.
- Lara Resende: sobre a proposta do economista André Lara Resende de um conselho para reduzir os juros com rapidez, ele respondeu que ela “nunca foi debatida no PT ou com o presidente Lula, nem há agenda construída para isso”. Na segunda (2), o coordenador do programa de Lula havia endossado a ideia do conselho, como mostra matéria anterior.
- Bets, blusinhas e escala 6×1: Edinho disse concordar com a proibição das apostas, mas defendeu uma transição para evitar o avanço do jogo clandestino; afirmou que o PT não tem posição coletiva sobre a taxa das blusinhas e vê espaço para negociar a transição do fim da escala 6×1.
O que ainda não se sabe
As declarações são do próprio presidente do PT ao Poder360; o Os Poderes não ouviu o partido, o Supremo, a Polícia Federal nem os demais citados. A posição de Edinho é a do PT segundo ele, e não de todos os petistas: não há registro, na entrevista, de decisão formal da bancada sobre pedidos de impeachment.
Fonte consultada em 3 de novembro de 2026, às 7h15: Poder360, entrevista com Edinho Silva publicada em 3/11, às 6h, lida na íntegra.






















