Treze dos 15 governadores eleitos que estiveram ao lado de Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno manifestaram-se para reconhecer expressamente a reeleição de Lula, e nenhum deles endossou a carta em que o senador contesta, sem provas, o resultado das urnas. É o que mostra levantamento publicado neste domingo (1º) pelo jornal O GLOBO, que descreve um movimento de aliados em busca de se afastar das atitudes de Flávio, que deixou o país para os Estados Unidos, e de manter pontes com o Palácio do Planalto.
O que dizem os governadores
Segundo a reportagem, a postura mistura disputa por protagonismo na direita, alianças regionais e a necessidade de interlocução com o governo federal. Os exemplos citados:
- São Paulo: Tarcísio de Freitas (Republicanos), reeleito, tornou públicas divergências com a reação de Flávio e defendeu “olhar para frente”, em nota divulgada após a carta. É citado como possível candidato à Presidência em quatro anos.
- Minas Gerais: Cleitinho Azevedo (Republicanos) não quis se manifestar, mas prega nas redes a superação das divergências. Flávio havia prometido rever a dívida do estado com a União, acima de R$ 180 bilhões; o orçamento de 2027 prevê déficit de R$ 10,5 bilhões.
- Rio de Janeiro: Douglas Ruas (PL) disse respeitar a vontade da maioria e pretende manter relação institucional com o governo federal para obter investimentos.
- Rio Grande do Sul: Luciano Zucco (PL) quer relação de diálogo com a União, citando a situação fiscal do estado.
- Paraná: Sergio Moro reconheceu o resultado, defendeu o esclarecimento de questionamentos da oposição e disse que seguirá na oposição.
- Distrito Federal: Celina Leão (PP) disse que manterá diálogo com Lula; o governo local busca aval da União para um empréstimo de até R$ 6,6 bilhões para capitalizar o BRB.
- Mato Grosso do Sul: Eduardo Riedel (PP) relatou ter tentado ligar para Lula, sem conseguir contato, e defende a parceria com a União em obras como a Rota Bioceânica.
- Goiás: Daniel Vilela (MDB) cobrou que o governo não discrimine estados governados por adversários.
Quem não reconheceu expressamente
Jorginho Mello (PL), de Santa Catarina, e Marcos Rogério (PL), de Rondônia, não haviam reconhecido de forma expressa a vitória de Lula até a data do levantamento, segundo o jornal, embora tenham admitido o resultado desfavorável a Flávio. Jorginho disse em vídeo que “a eleição terminou”, mas que há “questionamentos” a esclarecer; Marcos Rogério lamentou a derrota sem dizer se reconhecia o resultado. Ambos foram procurados e não comentaram.
Contexto
Lula foi reeleito em 25 de outubro, com 51,79% dos votos válidos, segundo o Tribunal Superior Eleitoral. Flávio deixou o Brasil em 27 de outubro, apesar de decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, que determinou a apreensão de seus passaportes e o proibiu de viajar. Na carta divulgada em 28 de outubro, contestou o resultado e disse que lideraria a oposição de fora do país. O levantamento é de O GLOBO; o Os Poderes não refez a contagem dos 15 nomes nem consultou individualmente os governadores.






















