A saída de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para os Estados Unidos frustrou o plano do PL de fazê-lo principal articulador da oposição e acelerou movimentações na direita, segundo reportagem de O Globo publicada às 3h30 desta quinta-feira (29). As avaliações abaixo são de aliados e integrantes dos grupos citados pela reportagem; nenhuma candidatura à presidência do Senado foi formalizada nas fontes lidas.
Tarcísio e 2030
No entorno do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, a avaliação é que a ausência de Flávio o fortalece como alternativa da direita para a próxima eleição presidencial, sem que ele precise confrontar o bolsonarismo, segundo integrantes do grupo ouvidos pelo jornal. Na terça (27), o governador divulgou vídeo em que reconheceu o resultado das urnas e defendeu uma oposição “vigilante” que cobre responsabilidade fiscal. A entrevista em que ele admitiu disputar a Presidência em 2030 está em matéria própria.
Michelle e o PL Mulher
Michelle Bolsonaro, eleita senadora, reuniu-se na terça com o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, e, segundo aliados citados pelo jornal, deve voltar ao comando do PL Mulher. A reportagem lembra que ela manteve distância pública do enteado na campanha e concentrou esforços na reeleição de Celina Leão (PP) no Distrito Federal e na própria candidatura ao Senado.
A disputa pelo Senado
O senador Rogério Marinho (PL-RN), que coordenou a campanha de Flávio, reuniu-se com Valdemar em meio às negociações pelo comando da Casa. Na coletiva de terça, disse estar surpreso com a saída de Flávio, com quem afirmou ter conversado na véspera sobre a liderança da oposição. A senadora Tereza Cristina (PP-MS) também pretende disputar a presidência e divulgou vídeo em reação ao anúncio de apoio da federação União Brasil-PP à permanência de Davi Alcolumbre (União-AP). Ela lembrou que os 54 senadores eleitos e reeleitos ainda não foram diplomados e têm direito de manifestar sua vontade “no momento apropriado”.
Questionado sobre o apoio da federação a Alcolumbre, Marinho disse acreditar que a posição “não se reflete na bancada”. Aliados de Alcolumbre avaliam, segundo o jornal, que a saída de Flávio enfraquece a capacidade de articulação do PL e amplia o isolamento do partido nas negociações com o Centrão. O PL elegeu a maior bancada do Senado, mas não reúne sozinho os votos para eleger os presidentes das duas Casas. A reunião do PL sobre a presidência do Senado, citada em reportagem anterior, está em matéria própria.
O que falta
Flávio anunciou que pretende comandar a oposição a partir dos EUA, e a reportagem observa que a tentativa terá de conviver com essas articulações. Os Poderes não ouviu os citados e leu apenas esta reportagem sobre o tema; as falas de Tarcísio, Marinho e Tereza Cristina vêm do texto do jornal. O contexto completo está na matéria principal sobre a saída de Flávio.






















