Congresso

Frente do Empreendedorismo prepara PEC fiscal para fevereiro, diz coluna

Proposta desenhada pela campanha de Renan Santos prevê desindexar benefícios do salário mínimo e limitar emendas; o governo Lula também prepara uma PEC, segundo a Folha.

Edifício do Congresso Nacional, com as duas torres e as cúpulas, visto de frente em Brasília
O Congresso Nacional, em Brasília, em 15/10/2020. Foto de arquivo: Senado Federal — CC BY 2.0. A imagem não registra a proposta citada. Origem da fotografia. Condição de uso.

A Frente Parlamentar do Empreendedorismo, na Câmara dos Deputados, prepara uma PEC do Equilíbrio Fiscal para apresentar no início do ano legislativo, em fevereiro, segundo a coluna Painel S.A., da Folha de S.Paulo, publicada nesta quinta-feira (29). A ideia, diz a coluna, é se antecipar ao governo Lula e dar uma resposta ao mercado e às empresas com medidas que ajudem a reduzir a taxa de juros.

A proposta, conforme o texto, foi desenhada pela campanha do candidato Renan Santos (Missão) e tem autoria formal dos deputados Kim Kataguiri (Missão-SP) e Júlio Lopes (PP-RJ). As conversas de bastidores já começaram, segundo pessoas envolvidas na articulação ouvidas pela coluna.

O que a proposta prevê

  • Desindexação de benefícios previdenciários e do abono salarial em relação ao salário mínimo, com correção pela inflação.
  • Desvinculação dos pisos de saúde e educação da receita, que deixariam de crescer com a arrecadação.
  • Limite às emendas parlamentares.
  • Redução de renúncias fiscais.

Segundo a proposta, as quatro frentes somariam uma economia potencial de cerca de R$ 1,1 trilhão em cinco anos, sendo R$ 486 bilhões apenas no primeiro ano após a aprovação. O cálculo é dos autores, conforme relatado pela coluna, e não foi verificado de forma independente.

A coluna acrescenta que, para os autores, regras críveis de controle de gastos aprovadas pelo Congresso dariam ao Banco Central espaço para manter a Selic mais baixa sem perder a âncora inflacionária. A frente também prepara, segundo o texto, outras propostas, como teto de gastos e de carga tributária, limite de endividamento e uma nova reforma da Previdência.

A PEC do governo

Os parlamentares querem sair na frente do governo Lula, que, conforme a Folha adiantou, prepara uma PEC para obrigar a nova gestão a buscar o centro da meta fiscal e a congelar mais recursos do Orçamento, se necessário, para melhorar a trajetória da dívida pública. O pano de fundo são os números recentes: a dívida bruta chegou a 82,9% do PIB em setembro, e a Instituição Fiscal Independente estima um ajuste de cerca de 3 pontos do PIB após as promessas de campanha.

Contexto e limites

É uma proposta em preparação: o texto da PEC não foi consultado, não há registro de apresentação nem de coleta de assinaturas, e ainda dependeria de aprovação por três quintos dos deputados e dos senadores, em dois turnos em cada Casa. A coluna lida não traz manifestação da frente parlamentar, dos autores ou do governo sobre os pontos citados.

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