A líder da oposição venezuelana, María Corina Machado, afirmou nesta quinta-feira (29) que os Estados Unidos sugeriram que a Venezuela realize eleições presidenciais em 2027. Segundo ela, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, “estabeleceu uma sequência de etapas” rumo à transição democrática. A informação é de Machado: o Departamento de Estado dos EUA não havia respondido a pedido de comentário até a publicação da reportagem da CNN Brasil, que serviu de fonte para esta matéria.
A fala foi a primeira declaração de peso de Machado desde que ela voltou à Venezuela, no domingo (25), após várias tentativas frustradas ao longo do ano. Ela acrescentou ter visto com bons olhos o fato de a presidente interina, Delcy Rodríguez, também ter defendido eleições no mesmo dia.
O pano de fundo
- O governo de Donald Trump esteve envolvido na operação que levou à captura de Nicolás Maduro, em janeiro; ele enfrenta acusações nos EUA, que nega.
- Washington diz que Machado tem o direito de estar na Venezuela, mas Trump também elogiou Rodríguez. O governo americano apoia negociações entre o governo interino e grupos de oposição, das quais o movimento de Machado, Vente Venezuela, não participa, para reestruturar o Conselho Nacional Eleitoral e a Suprema Corte antes do pleito.
- Na coletiva em Caracas, Machado evitou responder a perguntas sobre falas de Trump: em janeiro, ele disse que ela não teria apoio para liderar o país de imediato; nesta semana, sugeriu que a Venezuela poderia virar o 51º estado americano.
O que Machado pediu
A líder defendeu justiça de transição, uma comissão da verdade, a reestruturação das forças de segurança, um acordo com o FMI para lidar com a dívida do país e a libertação de presos políticos. Segundo a organização Foro Penal, citada na reportagem, 322 presos políticos estão encarcerados, mais da metade sem condenação, e cerca de 11 mil pessoas estão sob outras restrições; o governo nega que haja presos políticos. Rodríguez disse nesta quinta que mais de 9 mil pessoas foram libertadas ou tiveram restrições removidas por uma lei de anistia limitada.
Machado também afirmou que “todo contrato assinado legalmente será respeitado”, mas que alguns poderão ser ajustados, e criticou a falta de transparência do contrato da Blue Energy Partners (NABEP), firmado com o governo dos EUA para exportar a produção de 17 campos venezuelanos. Ela disse não ter examinado o documento e citou o histórico do presidente-executivo da empresa, Alejandro Betancourt, alvo de investigações nos EUA, na Espanha e na Suíça, inclusive por lavagem de dinheiro, embora nunca formalmente denunciado.






















