Governo

Boulos vê chantagem do mercado no ajuste fiscal e defende cortar privilégios

Ministro da Secretaria-Geral diz que o corte deve mirar desonerações, supersalários e emendas, não o SUS nem a educação; a Folha publicou a entrevista neste sábado (31).

Guilherme Boulos discursa de perfil diante de plateia no Palácio do Planalto na cerimônia de posse como ministro da Secretaria-Geral
Guilherme Boulos discursa na cerimônia de posse como ministro da Secretaria-Geral da Presidência, no Palácio do Planalto, em 29/10/2025. Foto de arquivo: Lula Oficial — CC BY-SA 4.0. A imagem não registra a entrevista atual. Origem da fotografia. Condição de uso.

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (PSOL), afirmou que vê uma “chantagem do mercado” no debate sobre ajuste fiscal no quarto mandato de Lula (PT) e que os cortes devem atingir privilégios, e não “o lombo dos mais pobres”. As declarações constam de entrevista publicada pela Folha de S.Paulo às 12h53 deste sábado (31).

O que ele disse

Segundo a reportagem, Boulos citou como caminhos para economizar a discussão de desonerações fiscais, supersalários e emendas parlamentares impositivas. Ele diferenciou o equilíbrio fiscal, que diz ter marcado os governos Lula, de um ajuste que corte no SUS e na educação, o que atribuiu à proposta de Flávio Bolsonaro (PL) derrotada nas urnas.

Sobre a pressão de investidores, disse: “Você não pode contrapor uma chantagem de mercado à vontade popular.” Para o ministro, a vitória de Lula indica apoio popular a políticas públicas, e a governabilidade dependerá de mobilização nas redes e nas ruas.

Contexto

A reportagem lembra que a dívida pública passou de 71,7% do PIB, no fim de 2022, para 82,5% em julho de 2026. O mercado reagiu mal ao resultado: a Bolsa caiu 9,88% em outubro, o Itaú cortou a projeção de PIB de 2027 para 0,5% e a expectativa de IPCA para 2027 subiu a 5,3% em levantamento com gestores.

Sucessão e Flávio

Questionado sobre a sucessão de Lula, Boulos disse que discutir nomes agora “só serve à divisão interna” da esquerda e do governo e que o foco deve ser um “mandato biográfico” do presidente. Ele também criticou a saída de Flávio Bolsonaro do país e afirmou que o Brasil deve ficar atento a riscos de intervenção externa, citando o apoio de Donald Trump ao candidato do PL.

O que falta

Não há, até o momento, proposta fiscal formal do governo eleito. Boulos fala como ministro e integrante do núcleo político do governo, não como porta-voz da área econômica; a equipe da Fazenda ainda não foi definida. A entrevista não foi lida na íntegra além do trecho aberto da Folha, e o ministro não detalhou valores de corte.

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