Nos municípios em que mais de 30% da população se declara evangélica, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) teve mais votos válidos que o presidente reeleito Lula (PT) no segundo turno de 25 de outubro. É o que mostra um cruzamento entre os dados de religião do Censo 2022, do IBGE, e o resultado município a município, publicado neste sábado (31) pelo g1. A reportagem ressalva que a composição religiosa não explica sozinha a geografia eleitoral.
Como o voto muda por faixa de evangélicos
Segundo o g1, agrupando os municípios pela proporção de evangélicos, a vantagem troca de lado entre as faixas de 20% e 40%:
| Evangélicos na população | Municípios | Lula | Flávio |
|---|---|---|---|
| Até 10% | 502 | 68,5% | 31,5% |
| 10% a 20% | 1.929 | 61,3% | 38,7% |
| 20% a 30% | 1.819 | 51,3% | 48,7% |
| 30% a 40% | 973 | 45,8% | 54,2% |
| 40% a 50% | não informado | 45,4% | 54,6% |
| Mais de 50% | 58 | 44,8% | 55,2% |
Percentuais de votos válidos por faixa, conforme a reportagem. Faixas e contagens são do g1; este portal não refez o cálculo.
O padrão varia pelo país
O g1 descreve três retratos regionais. No Centro-Oeste, 42% dos municípios têm ao mesmo tempo maior presença evangélica e maior votação em Flávio, numa faixa que vai de Mato Grosso a Goiás e avança por Rondônia, Tocantins e o sul do Pará. No Nordeste, em 55% dos municípios os evangélicos são proporcionalmente poucos e Flávio teve votação baixa; Salvador e Teresina deram ampla vantagem a Lula. No Sul, a religião praticamente não explica o voto: Flávio foi bem tanto em cidades de maioria católica, como Caxias do Sul (RS) e Florianópolis, quanto em Arroio do Padre (RS), apontado como o município mais evangélico do país. No Norte o padrão é o inverso: em grandes extensões do Amazonas e do Pará a presença evangélica é alta, mas a votação de Flávio ficou na faixa intermediária ou baixa.
O que o levantamento não mostra
A reportagem lembra que correlação não demonstra que a religião tenha causado o resultado: o indicador mostra que as duas variáveis se movem juntas, sem isolar outros fatores que diferenciam os municípios. O dado é por município e não diz como votaram os evangélicos individualmente. Para esse recorte, o g1 cita o Datafolha de 6 e 7 de outubro, logo após o primeiro turno, em que Flávio tinha 69% das intenções de voto entre evangélicos, contra 25% de Lula; Flávio foi batizado na fé evangélica. Pelo resultado oficial, Lula foi reeleito com 51,8% dos votos válidos, contra 48,2% de Flávio, segundo a totalização do TSE.
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