EUA

Congresso dos EUA não pode deportar Flávio, mas democratas poderiam investigar

Especialistas ouvidos pelo g1 dizem que a decisão sobre a permanência do senador cabe ao Executivo de Trump; uma maioria democrata poderia convocar Rubio e apurar a concessão de vistos, mas o tema não seria prioridade.

Montagem: retrato do senador Flávio Bolsonaro, de terno cinza e gravata amarela, ao lado do Capitólio dos Estados Unidos sob céu azul.
Montagem de duas fotos de arquivo: o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em entrevista, em 12/5/2022 (Agência Senado — CC BY 2.0), e o Capitólio, em Washington, em 2/9/2013 (Martin Falbisoner — CC BY-SA 3.0). As fotos não registram os fatos desta matéria. Origem da foto de Flávio. Origem da foto do Capitólio. Licença da foto de Flávio. Licença da foto do Capitólio.

Brasileiros têm pedido nas redes a políticos democratas que Flávio Bolsonaro seja deportado dos Estados Unidos caso o partido reconquiste a maioria no Congresso nas eleições de meio de mandato. Segundo especialistas ouvidos pelo g1, o Congresso não tem poder para deportar o senador, mas uma maioria de oposição a Donald Trump poderia abrir investigações e pressionar o governo por explicações.

Quem decide sobre a permanência

De acordo com a reportagem, decisões sobre a permanência de estrangeiros nos EUA cabem a órgãos do Executivo, como o Departamento de Estado, chefiado por Marco Rubio, e o Departamento de Segurança Interna (DHS), ambos subordinados a Trump. O professor Roberto Uebel, da ESPM, resumiu que deportar alguém “não está na jurisdição” do Congresso. Vitelio Brustolin, da Universidade Federal Fluminense, lembrou que há diferenças entre revogação de visto, deportação e expulsão: revogar o visto não implica a saída automática do país, e a deportação exige um procedimento legal.

O que os democratas poderiam fazer

Os especialistas apontam que uma maioria democrata poderia abrir investigações para apurar se autoridades do governo Trump deram tratamento excepcional a Flávio e à família na concessão de vistos ou na entrada no país, e convocar Rubio para prestar esclarecimentos. Segundo Brustolin, basta a maioria na Câmara dos Deputados para abrir uma investigação parlamentar, sem necessidade de controlar também o Senado. Ele ressalva que a Casa Branca pode invocar privilégios do Executivo e limitar o acesso a documentos e testemunhos.

Mesmo assim, a avaliação de Uebel e de Tomaz Paoliello, da PUC-SP, é que o caso de Flávio dificilmente estará entre as prioridades dos democratas, mais voltados a economia, custo de vida, embates com Trump e à eleição presidencial de 2028. Uebel acredita que a principal prioridade seria abrir um processo de impeachment contra Trump; Paoliello considera pouco provável que a pressão resulte em medidas concretas contra o senador.

O que ainda é projeção

A reportagem informa que as projeções indicam que o Partido Democrata pode reconquistar a maioria no Congresso, hoje republicana, mas isso depende do resultado das eleições de meio de mandato, que renovam toda a Câmara e cerca de um terço do Senado. A hashtag #DeportTheBolsonaros foi uma das mais compartilhadas do X no Brasil na sexta-feira (30). Não há, nas fontes lidas, qualquer pedido formal de autoridade americana nesse sentido.

Contexto

Flávio chegou aos EUA após deixar o Brasil, o que levou 25 deputados democratas a cobrar o governo Trump e o Itamaraty a convocar a representante da Argentina. Em vídeo divulgado na sexta, o senador afirmou ter decidido sair com a mulher. Uma indicação da alfândega dos EUA aponta que ele pode permanecer no país até outubro de 2027.

Fonte: g1, reportagem de 31/10/2026, lida na íntegra às 04h15; as declarações dos especialistas são atribuídas a eles. As projeções eleitorais não foram verificadas de forma independente.

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