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Papa Leão XIV cobra proteção a crianças em bairro violento de Montevidéu

No segundo dia da primeira visita à América do Sul, o pontífice foi a Casavalle, onde a taxa de homicídios é quatro vezes a média nacional, e encerrou o sábado (7) com vigília para 60 mil pessoas no Estádio Centenário.

O papa Leão XIV, de batina branca, acena de dentro do papamóvel para pessoas que o cercam e o fotografam com celulares, em Barcelona.

O papa Leão XIV saúda a multidão, do papamóvel, em Barcelona, em 10/6/2026, durante viagem à Espanha. Foto de arquivo: Frodlekis — CC BY 4.0. A imagem não registra a viagem à América do Sul. Origem da fotografia. Condição de uso.

O papa Leão XIV criticou neste sábado (7), em Casavalle, bairro pobre do norte de Montevidéu, a violência que afeta crianças no Uruguai. “Não podemos ignorar que há crianças no Uruguai que deixam de ir à escola por medo de não voltar para casa”, afirmou, em palco montado ao lado da paróquia Nossa Senhora de Guadalupe. Foi o segundo dia da viagem de 12 dias pela América do Sul, a primeira de um pontífice ao Uruguai desde 1988.

“Uma criança deste país, tão rico em recursos, não deveria ir dormir com fome”, disse o papa, que também afirmou não ser possível “ficar de braços cruzados” diante de uma mãe sem condições de alimentar os filhos. Durante a visita, ele abençoou 12 moradias populares construídas no bairro com financiamento da Igreja Católica.

O bairro e os números

Casavalle é considerada uma das regiões mais violentas do país, com tiroteios frequentes ligados ao tráfico de drogas. A taxa de homicídios no bairro e nos vizinhos chega a 41,7 por 100 mil habitantes, segundo dados oficiais, cerca de quatro vezes a média nacional. Dados da delegacia da área indicam 39 homicídios no ano passado, ou 44,1 por 100 mil, a maior taxa de Montevidéu. Segundo o Unicef, quatro em cada dez crianças uruguaias vivem na pobreza. O Uruguai, tradicionalmente um dos países mais seguros da região, tornou-se nos últimos anos rota importante da cocaína rumo ao norte.

Missa em Paysandú e vigília

Pela manhã, o papa celebrou em Paysandú, cidade de fronteira às margens do Rio Uruguai, a primeira missa de seu pontificado em solo sul-americano, diante de uruguaios, argentinos e brasileiros; peregrinos gaúchos chegaram a cavalo. Na homilia, falou em “construir pontes” e citou o mate como símbolo de união.

À noite, uma vigília no Estádio Centenário reuniu cerca de 60 mil pessoas; os ingressos gratuitos se esgotaram em menos de três horas. Ali, Leão XIV pediu que os jovens “não tenham medo do ‘para sempre’” ao casar e que os casais abram as casas à vida. No mesmo dia, alertou para os riscos de desumanização provocados pela inteligência artificial e pediu uso responsável da tecnologia em escolas e universidades.

O Brasil não está no roteiro da viagem; o presidente Lula renovou o convite para que o papa visite o país.

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