O papa Leão XIV criticou neste sábado (7), em Casavalle, bairro pobre do norte de Montevidéu, a violência que afeta crianças no Uruguai. “Não podemos ignorar que há crianças no Uruguai que deixam de ir à escola por medo de não voltar para casa”, afirmou, em palco montado ao lado da paróquia Nossa Senhora de Guadalupe. Foi o segundo dia da viagem de 12 dias pela América do Sul, a primeira de um pontífice ao Uruguai desde 1988.
“Uma criança deste país, tão rico em recursos, não deveria ir dormir com fome”, disse o papa, que também afirmou não ser possível “ficar de braços cruzados” diante de uma mãe sem condições de alimentar os filhos. Durante a visita, ele abençoou 12 moradias populares construídas no bairro com financiamento da Igreja Católica.
O bairro e os números
Casavalle é considerada uma das regiões mais violentas do país, com tiroteios frequentes ligados ao tráfico de drogas. A taxa de homicídios no bairro e nos vizinhos chega a 41,7 por 100 mil habitantes, segundo dados oficiais, cerca de quatro vezes a média nacional. Dados da delegacia da área indicam 39 homicídios no ano passado, ou 44,1 por 100 mil, a maior taxa de Montevidéu. Segundo o Unicef, quatro em cada dez crianças uruguaias vivem na pobreza. O Uruguai, tradicionalmente um dos países mais seguros da região, tornou-se nos últimos anos rota importante da cocaína rumo ao norte.
Missa em Paysandú e vigília
Pela manhã, o papa celebrou em Paysandú, cidade de fronteira às margens do Rio Uruguai, a primeira missa de seu pontificado em solo sul-americano, diante de uruguaios, argentinos e brasileiros; peregrinos gaúchos chegaram a cavalo. Na homilia, falou em “construir pontes” e citou o mate como símbolo de união.
À noite, uma vigília no Estádio Centenário reuniu cerca de 60 mil pessoas; os ingressos gratuitos se esgotaram em menos de três horas. Ali, Leão XIV pediu que os jovens “não tenham medo do ‘para sempre’” ao casar e que os casais abram as casas à vida. No mesmo dia, alertou para os riscos de desumanização provocados pela inteligência artificial e pediu uso responsável da tecnologia em escolas e universidades.
O Brasil não está no roteiro da viagem; o presidente Lula renovou o convite para que o papa visite o país.





















