Congresso

PT tenta barrar o PL no bloco de apoio a Motta; bancada decide dia 11

Líder do PT diz ser "incompatível" a presença do partido de Flávio Bolsonaro no grupo que reúne 361 deputados e disputa a CCJ; o PL ainda não decidiu entre candidatura própria e apoio ao presidente da Câmara.

Deputados conversam em pé no plenário da Câmara durante sessão deliberativa; ao fundo, a mesa diretora e as bandeiras do Brasil
Plenário da Câmara dos Deputados em sessão deliberativa, em Brasília, em 4/3/2026. Foto de arquivo: Bruno Spada/Câmara dos Deputados — CC BY 3.0. A imagem não registra a disputa atual pelo bloco de apoio a Hugo Motta. Origem da fotografia. Condição de uso.

O PT tenta impedir que o PL entre no bloco de apoio à reeleição do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), numa disputa que envolve cargos na Mesa Diretora e a presidência das comissões permanentes, em especial a da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). O líder do PT, Pedro Uczai (SC), afirmou considerar “incompatível” a participação do PL no grupo, e disse que Motta lhe respondeu que a eventual inclusão de novos partidos será decidida coletivamente.

Motta já reúne o apoio declarado de 361 deputados, 104 a mais que os 257 votos necessários para vencer. O PL elegeu 121 deputados, a maior bancada da Casa, e o PT, 70. Pelas regras de proporcionalidade partidária, o tamanho dos blocos e das bancadas influencia a divisão das comissões; se o PL entrasse, tenderia a ter a preferência na escolha, o que não garante o comando da CCJ, definido em acordos entre as legendas.

O que o PT quer, e o que diz

  • Mesa Diretora: pelas articulações em andamento, a 1ª Secretaria ficaria com o PT, e uma das vice-presidências iria para o Centrão, e não para o PL.
  • Isolamento na votação: Uczai disse que o PT não pretende necessariamente excluir o PL das articulações, e que o isolamento virá nas votações, conforme as propostas que o partido apresentar; segundo ele, serão isoladas “as pautas reacionárias”. É a avaliação do líder petista, não um fato apurado de forma independente.

Dentro do PL

A decisão deve sair de uma reunião da bancada na quarta-feira, 11 de novembro, em Brasília, depois de ouvir os deputados eleitos em 2026. O partido avalia dois caminhos: lançar nome próprio ou apoiar Motta. O líder, Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), perdeu o interesse em encabeçar uma candidatura (leia a matéria sobre a revisão da estratégia do PL) e disse que o partido reivindicará o comando de sete comissões, entre elas a CCJ e a Comissão Mista de Orçamento. O Regimento Interno não garante automaticamente as presidências às maiores bancadas.

Integrantes do PL ouvidos na apuração dizem que a maioria da bancada defende candidatura própria e que a relação com Motta ficou mais difícil depois que ele declarou apoio à reeleição de Lula; também afirmam que acordos anteriores não foram cumpridos. O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) declarou na terça (3) que prefere abrir mão da presidência da CCJ a apoiar Motta.

O que dizem os aliados de Motta

Dirigentes do Centrão avaliam que não há necessidade de incorporar o PL ao bloco, já que Motta tem votos de sobra, e que o partido contribuiu para o próprio isolamento ao anunciar, depois da vitória de Flávio Bolsonaro no 1º turno, que não apoiaria as reeleições de Motta e do presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Um dirigente, sem se identificar, chamou de “decisão burra” a ideia de o partido do presidente querer comandar as duas Casas. São opiniões atribuídas a fontes anônimas.

O contexto

O PL depende do Centrão para formar maiorias, inclusive em pautas que considera prioritárias, como pedidos de impeachment de ministros do STF. Depois da derrota de Flávio no 2º turno e da carta em que ele questionou o resultado sem apresentar provas de fraude, União Brasil, MDB e PSDB reconheceram a legitimidade da eleição. O União Brasil, presidido por Antonio Rueda, mantém apoio às reeleições de Motta e Alcolumbre e diz respeitar a decisão do PL sobre a Câmara. No Senado, a disputa é outra: Rogério Marinho (PL-RN), Alcolumbre e Tereza Cristina (PP-MS) disputam a presidência, e nenhum teria hoje os 41 votos. As eleições das Mesas Diretoras ocorrem daqui a cerca de três meses.

Foto de arquivo do plenário da Câmara; a imagem não registra a disputa atual.

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