Uma segunda van que cruzou a fronteira de Foz do Iguaçu (PR) para a Argentina na noite de 27 de outubro levava um israelense apontado como ex-oficial do serviço de inteligência de Israel, segundo reportagem do Fantástico, da TV Globo, exibida no domingo (1º). O programa teve acesso a registros do sistema de imigração argentino e a documentos de uma investigação em cooperação internacional. As informações foram resumidas pelo Estadão e pelo Poder360. Os textos consultados não dizem qual teria sido o papel do israelense nem ligam diretamente o nome dele a Flávio Bolsonaro.
O que os registros mostram
De acordo com a reportagem, duas vans da empresa Iguaçu Dallas Travel Turismo, de Foz do Iguaçu, passaram pela fronteira naquela noite. Em uma delas constam os dados da mulher e das filhas do senador. No mesmo veículo, o sistema argentino registrou três entradas de Flávio: às 22h37, com passaporte italiano; às 22h40, com carteira de motorista; e às 23h11, com passaporte brasileiro. Os dois registros feitos com documentos do Brasil foram depois cancelados, e só o do passaporte italiano permaneceu válido. O caso está em outra matéria do Os Poderes.
A outra van levava, segundo o Fantástico, o motorista Neri Luiz Dala Corte, o advogado Roberto Jorge Alexandre (que, de acordo com o Estadão, atuou na defesa de Jair Bolsonaro) e o israelense Menachem Booky Halevy. Para o Estadão, ele é apontado como ex-oficial de inteligência de Israel e tem histórico de eventos ao lado do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu; para o Poder360, como ex-integrante do Mossad. Ele entrou no Brasil em 19 de outubro por Guarulhos (SP) e, conforme o Estadão, somava quatro passagens pelo país no ano.
Segundo o Poder360, essa van cruzou a fronteira poucos minutos antes da que teria levado o senador e a família a Puerto Iguazú. O motorista disse à reportagem que foi contratado para buscar dois homens em Foz do Iguaçu e levá-los ao aeroporto de Puerto Iguazú, e negou ter visto integrantes da família Bolsonaro.
Diferença em relação ao relato de 31 de outubro
O Os Poderes já havia publicado, com base em reportagem da CNN Brasil, que um ex-agente israelense que teria trabalhado no Mossad estava na van de Flávio. A CNN atribuía a informação a fontes de três órgãos não identificados e não citava o nome. A reportagem do Fantástico, com base em registros de imigração, nomeia o israelense e o coloca na segunda van, e não na que levava a família. As duas versões não foram confrontadas pelos veículos nos textos lidos.
A empresa de turismo
A reportagem apurou que o endereço da Dallas Turismo na Receita Federal corresponde a um estacionamento, onde trabalhadores disseram que a agência nunca funcionou. Em nota, a empresa negou ter transportado o candidato. O Estadão acrescenta que a mulher e as filhas de Flávio teriam saído de Brasília para Cascavel (PR) em outra aeronave e embarcado em uma das vans no hangar do aeroporto, por volta das 20h.
O que dizem os citados
O advogado de Flávio, Frederick Wassef, disse que nenhuma informação sobre a viagem do senador “é oficial ou foi confirmada”, que ele não fugiu, não é réu nem foi indiciado, e que há apenas uma apuração em curso envolvendo terceiros. A assessoria do advogado Willer Tomaz, cujo jatinho a Polícia Federal apura se foi usado no trajeto (veja aqui), nega que aeronave dele ou de empresas da família tenha sido usada. Segundo o Poder360, não há mandado de prisão contra Flávio, que está proibido de se comunicar com Tomaz por decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF. Os textos consultados não trazem manifestação do israelense nem do advogado Roberto Jorge Alexandre.
Reação na Argentina
Segundo o Estadão, a Justiça argentina mandou preservar imagens de segurança do aeroporto e da fronteira de Puerto Iguazú, e a deputada Marcela Pagano cobrou explicações sobre possíveis falhas no controle migratório e sobre o uso de escolta policial e de veículos diplomáticos. O secretário de Comunicação da Presidência argentina, Fabián Fernández, disse, conforme o Fantástico, que o governo não tinha nada a declarar.
O que falta saber
- Qual foi, se houve, o papel do israelense na travessia.
- Em qual van ele estava: a CNN Brasil o colocou na de Flávio, e o Fantástico, na segunda.
- Como Flávio chegou a Puerto Iguazú, já que os registros apontam entrada por terra, e a reportagem trata também da hipótese de um voo vindo de Buenos Aires.
- Se a Polícia Federal ou a Justiça argentina concluirão algo sobre as vans e a empresa.






















