O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), tenta se reeleger no comando da Casa na votação de fevereiro, quando começa a nova legislatura, e passou a negociar com vários campos políticos, inclusive a oposição, segundo a Coluna do Estadão, publicada nesta segunda-feira (2). A coluna diz que ele acionou o “modo Lula” e chegou a negociar até o que, na avaliação dela, seria impossível.
O que Alcolumbre ofereceria
De acordo com a coluna, antes mesmo do fim do segundo turno ele passou a ventilar nos bastidores o compromisso de destravar a anistia aos condenados pelo 8 de janeiro e abriu espaço para debater um eventual indulto ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Ele argumenta com interlocutores que busca a pacificação para encerrar a tensão permanente entre Lula, os Bolsonaros e o Supremo Tribunal Federal (STF).
A coluna também descreve negociações sobre a distribuição de espaços no Legislativo, dos gabinetes às relatorias e comissões, como as do Orçamento de 2027.
Os obstáculos apontados
- Indulto. É prerrogativa exclusiva do Poder Executivo.
- Anistia. Segundo a coluna, as propostas enfrentam forte resistência no STF e no governo; mesmo que avancem no Congresso, poderiam ser derrubadas depois.
- Bolsonarismo. O núcleo mais fiel a Bolsonaro mantém restrições ao nome do senador e diz que ele não cumpriu acordos nos últimos quatro anos. Alcolumbre, segundo a coluna, ainda não conversou com a ala radical do PL e admite a interlocutores que não há articulação fechada.
- Fuga de Flávio. A coluna avalia que a saída do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) do país, seguida de uma carta de teor golpista, minou o avanço dessas pautas.
A única negociação considerada viável no momento, ainda de acordo com a coluna, é o julgamento, no STF, da lei da dosimetria, que reduz as penas aplicadas aos condenados do 8 de janeiro.
Os apoios declarados
Depois do segundo turno, Alcolumbre recebeu apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a reeleição e anunciou o respaldo da federação União-PP, com base na manifestação dos presidentes dos dois partidos, Ciro Nogueira (PP) e Antonio Rueda (União). A coluna observa que, na prática, nenhum dos dois votará: Ciro não foi reeleito senador e Rueda é deputado.
O que falta saber
A eleição só ocorre em fevereiro. Em outra frente, o PL deve lançar o senador Rogério Marinho (RN) como candidato, o que será anunciado na quarta-feira (4), segundo reportagem já publicada aqui: veja PL deve lançar Marinho ao comando do Senado, apesar de acenos de Alcolumbre. As ofertas atribuídas a Alcolumbre vêm de relato da coluna sobre conversas de bastidor; o texto não traz declaração pública dele sobre anistia ou indulto.
Fonte: Coluna do Estadão (Roseann Kennedy, Eduardo Barretto e Leticia Fernandes), lida na íntegra em 2/11/2026, às 9h.






















