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Flávio teve três registros de entrada na Argentina em 40 minutos, diz reportagem

Documentos do sistema de imigração argentino obtidos pelo Fantástico mostram três entradas em nome de Flávio na mesma van, mas a apuração aponta que ele teria chegado de avião; defesa nega fuga.

Placa verde "Puente Presidente Tancredo Neves, longitud 489 metros" ao lado da pista da ponte que liga Puerto Iguazú a Foz do Iguaçu.
Placa da Ponte Presidente Tancredo Neves, que liga Puerto Iguazú (Argentina) a Foz do Iguaçu (PR), em 1º/5/2015. Foto de arquivo: Horacio Cambeiro — CC BY 3.0. A imagem não registra a travessia de Flávio Bolsonaro. Origem da fotografia. Condição de uso.

Documentos do sistema de imigração da Argentina mostram três registros de entrada em nome de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em 40 minutos, com documentos diferentes, na noite de 27 de outubro, segundo investigação do Fantástico, da TV Globo, divulgada no domingo (1º) e publicada pelo g1. A reportagem diz que o material integra uma apuração feita em cooperação internacional e descreve uma logística que incluiu o uso de vans, um jato executivo e a presença de agentes no aeroporto de Puerto Iguazú. O advogado do senador, Frederick Wassef, nega que tenha havido fuga.

O que os registros mostram

Segundo a reportagem, o sistema registrou três entradas na mesma van que cruzou a fronteira de Foz do Iguaçu (PR) com a Argentina:

  • 22h37, com passaporte italiano;
  • 22h40, com carteira de motorista;
  • 23h11, com passaporte brasileiro.

Os dois registros com documentos brasileiros foram cancelados depois, e só o ingresso com o passaporte italiano permaneceu válido, de acordo com o Fantástico. Na mesma van, constavam os dados da mulher de Flávio, Fernanda, e das duas filhas do casal, que, segundo a reportagem, haviam embarcado numa van no hangar do aeroporto de Cascavel (PR) às 20h02.

Uma rota em duas frentes

A apuração descreve duas frentes. Numa das versões, Flávio deixou Brasília às 5h05 de 27 de outubro num jato Cessna Citation Excel ligado ao advogado Willer Tomaz, que pousou às 8h40 em San Fernando, na região de Buenos Aires, e de lá ele teria seguido em outro voo privado para Puerto Iguazú. A assessoria de Tomaz nega que aeronave dele ou de empresas da família tenha sido usada pelo senador. A Polícia Federal apura essa linha, como mostrou PF apura se Flávio saiu do país em jatinho ligado a Willer Tomaz, diz reportagem.

Apesar do registro de entrada terrestre, a principal linha de investigação citada pelo Fantástico é que Flávio desembarcou em Puerto Iguazú de avião, vindo de Buenos Aires, e esperou por horas dentro da aeronave a chegada da família.

As vans, o israelense e a escolta

Uma segunda van cruzou o controle cerca de sete minutos antes, segundo a reportagem. Nela estavam o motorista Neri Luiz Dala Corte, o advogado Roberto Jorge Alexandre, que atuou na defesa de Jair Bolsonaro, e o israelense Menachem Booky Halevy, apontado como ex-oficial do serviço de inteligência de Israel, que entrou no Brasil em 19 de outubro por Guarulhos. O motorista disse ao Fantástico ter sido contratado para buscar dois homens num posto em Foz do Iguaçu e levá-los ao aeroporto, e negou ter visto membros da família Bolsonaro.

A empresa dona da van que levou a família, a Iguaçu Dallas Travel Turismo, teve o endereço cadastrado na Receita Federal checado pela reportagem, que encontrou apenas um estacionamento; a empresa nega, em nota, ter transportado o candidato. O jornalista argentino Nicolás Munafó, do canal C5N, que estava no aeroporto, relatou ter visto uma comitiva escoltada por veículo da Polícia de Segurança Aeroportuária, com caminhonetes brasileiras e argentinas, uma delas com placa diplomática.

Reação na Argentina e voo para os EUA

A Justiça argentina ordenou a preservação das imagens das câmeras da fronteira e do aeroporto de Puerto Iguazú. A deputada Marcela Pagano disse ao Fantástico ter cobrado explicações das autoridades argentinas sobre a escolta e o transporte em carros diplomáticos. O secretário de Comunicação da Presidência argentina, Fabian Fernandez, respondeu que o governo não tem nada a declarar.

A viagem aos Estados Unidos, segundo a reportagem, foi feita num jato Gulfstream G400 da empresa argentina Baires Fly, com escala em Guayaquil (Equador) e desembarque na manhã de 28 de outubro em Opa-Locka, perto de Miami. O dono da empresa, Luis Grande, contou à agência France Presse que o voo custou US$ 150 mil, pagos por um intermediário do setor de aviação nos EUA, e disse não saber quem era o contratante final. O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, nega que o governo americano tenha participado dos preparativos.

O que falta saber

A reportagem não esclarece como Flávio teria passado pelo controle argentino nem quem autorizou a escolta, e o governo da Argentina não comentou. Wassef disse ao Fantástico que nenhuma informação sobre a viagem é oficial ou foi confirmada. Flávio é investigado no STF em dois inquéritos e exerce o mandato de senador até o fim de janeiro. Sobre o relato do jornal argentino Clarín de jatos e agentes americanos no aeroporto, veja Fuga de Flávio teve ao menos 4 jatos e agentes dos EUA no aeroporto, diz jornal.

Fonte: reportagem do Fantástico publicada pelo g1 em 1º/11/2026, lida na íntegra em 2/11/2026, às 9h.

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