Aliados do presidente Lula (PT) querem manter ativa a mobilização digital da campanha e, ao mesmo tempo, avançar na regulação das plataformas. Segundo reportagem da Folha de S.Paulo publicada no domingo (1º), líderes, influenciadores e o próprio presidente afirmam que o engajamento digital da esquerda veio para ficar, e o objetivo é usar canais e grupos como instrumento de pressão sobre o Congresso.
O que dizem os aliados
O deputado federal André Janones (Rede-MG) reuniu, segundo a reportagem, mais de 10 milhões de pessoas no “Exército do Lula”, no WhatsApp, que Lula apontou como corresponsável pela virada sobre Flávio Bolsonaro (PL). Janones disse à Folha que o grupo será mantido como ferramenta de pressão popular a favor do governo e que sua missão agora é compensar a minoria que Lula deve ter na Câmara e no Senado, ou, nas palavras dele, “dar governabilidade ao presidente”. Sobre o deputado, veja também a matéria em que ele diz que não será ministro.
O deputado federal eleito Guilherme Cortez (PSOL-SP), com mais de 2 milhões de seguidores no Instagram, defende manter a estrutura de mobilização digital acompanhada de regulação das plataformas, sem que uma exclua a outra. Ele afirmou que o modelo ainda deve ser discutido com outros atores, mas levantou a possibilidade de uma opção para desligar o algoritmo: feeds sem recomendação algorítmica, que mostrariam apenas o conteúdo de perfis conhecidos ou seguidos.
Lula e a regulação
No discurso da vitória, Lula agradeceu a Janones, a quem chamou de general, e sinalizou que a regulação das redes estará entre suas prioridades. Segundo a reportagem, disse que a eleição precisou superar uma intromissão vinda de fora por meio de plataformas digitais, que terão de ser reguladas, e afirmou que um crime no mundo digital deve ser tratado como um crime na vida real. Na campanha de 2022 ele já havia sinalizado interesse em regular as redes; o governo chegou a preparar propostas, mas não conseguiu avançar com o tema no mandato.
A campanha deste ano foi marcada por acusações de interferência de plataformas. A Folha já havia mostrado mensagens internas da Meta em que funcionários reconheciam prejuízo a contas de Lula e benefício às de Flávio; a empresa negou ingerência. Integrantes do governo e parlamentares pretendem votar até dezembro o projeto de regulação concorrencial das big techs, porque avaliam que há uma janela favorável agora, que se estreitará quando o novo Congresso tomar posse, em 2027.
O que falta saber
A ideia de feeds sem algoritmo foi apenas levantada por Cortez; a reportagem não aponta proposta formal nesse sentido. Também não está definido se o projeto das big techs será votado até dezembro nem como o grupo de WhatsApp será usado na prática.
Nota: a reportagem da Folha de S.Paulo foi lida na íntegra às 2h14 de 2/11/2026; as falas citadas são as publicadas pelo jornal e não foram confirmadas diretamente com os citados.






















