Economia

Midterms podem mexer com dólar e juros no Brasil, dizem economistas

Reportagem do g1 reúne projeções que dão vantagem aos democratas na Câmara e disputa mais apertada no Senado; os efeitos para o Brasil passam pelos juros dos títulos do Tesouro americano e pelo câmbio.

Fachada da Bolsa de Valores de Nova York vista da escadaria do Federal Hall, na Wall Street, com pedestres na rua
Bolsa de Nova York, na Wall Street, em agosto de 2017. Foto de arquivo: Arild Vågen — CC BY-SA 4.0. A imagem não registra as eleições de meio de mandato. Origem da fotografia. Condição de uso.

As eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, marcadas para esta terça-feira (3), podem alterar o espaço de manobra do presidente Donald Trump para aprovar medidas de gastos, impostos e regulação, com possíveis reflexos no dólar e nos juros no Brasil. É o que mostra reportagem do g1, que reúne projeções e avaliações de economistas. Projeções não são resultado: a votação define as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes e 35 das 100 do Senado.

O que dizem as projeções

Segundo a reportagem, as projeções disponíveis apontam vantagem dos democratas, sobretudo na Câmara, e uma disputa mais equilibrada no Senado. O pano de fundo é a rejeição ao presidente: 66% dos americanos desaprovam a gestão Trump, o maior índice já registrado pela pesquisa Reuters/Ipsos, de acordo com o g1.

  • Câmara: o modelo estatístico do The Economist, adotado como referência pelo BTG Pactual, projeta 239 cadeiras para os democratas e 196 para os republicanos, com 96% de probabilidade de maioria democrata. A plataforma de previsões Polymarket atribuía 92% de chance ao partido.
  • Senado: o cenário-base do modelo próprio do BTG prevê 51 democratas e 49 republicanos. A probabilidade de maioria democrata varia de 65% (cotações do Polymarket) a 72% (modelo do banco).

Os cenários que a reportagem descreve dependem do resultado em cada Casa. Com as duas, os democratas controlariam a pauta legislativa e as comissões que fiscalizam o Executivo, além de ter mais influência sobre indicações a cargos como os do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) e da Suprema Corte. Se vencerem só na Câmara, poderão dificultar projetos e a liberação de recursos, mas os republicanos manteriam o Senado e a influência sobre as nomeações; Trump conservaria o poder de veto.

Avaliação dos economistas

Andressa Durão, economista do ASA, afirmou que as apostas de mercado se deslocam a favor de uma “onda democrata”, o que enfraqueceria o Partido Republicano e ampliaria a fiscalização sobre o governo. Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research, relaciona o desgaste de Trump à insatisfação com o custo de vida, em especial com os combustíveis: a gasolina estaria acima de US$ 4 por galão e o diesel, de US$ 6. Para ele, a retomada de ao menos uma das Casas já bastaria para dificultar a agenda legislativa do presidente. Sung também avalia que o mercado ainda não considerou plenamente a hipótese de vitória democrata nas duas Casas, cenário em que o impasse com o governo e pautas de confronto, como um eventual impeachment, aumentariam a volatilidade global.

Como chega ao Brasil

De acordo com a reportagem, os efeitos viriam por dois caminhos: os rendimentos dos títulos do Tesouro americano e a cotação do dólar. Se as decisões do Congresso sobre gastos e impostos levarem investidores a esperar despesas maiores que a arrecadação, os juros desses títulos, referência para aplicações no mundo todo, podem subir. Com rendimentos mais altos nos EUA, investidores podem retirar recursos de emergentes como o Brasil; menos dinheiro entrando tende a elevar o dólar e as taxas de juros futuras no país, o que influencia as expectativas sobre a Selic.

O que falta saber

O resultado só será conhecido com a apuração, que pode levar dias em alguns estados, como o Os Poderes explicou em Sem órgão nacional, apuração das midterms varia por estado e pode levar dias. As disputas do Senado estão em Democratas precisam virar 4 cadeiras no Senado dos EUA; veja as 8 disputas. Esta matéria será atualizada com os resultados oficiais e a reação dos mercados.

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