As eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, marcadas para esta terça-feira (3), podem alterar o espaço de manobra do presidente Donald Trump para aprovar medidas de gastos, impostos e regulação, com possíveis reflexos no dólar e nos juros no Brasil. É o que mostra reportagem do g1, que reúne projeções e avaliações de economistas. Projeções não são resultado: a votação define as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes e 35 das 100 do Senado.
O que dizem as projeções
Segundo a reportagem, as projeções disponíveis apontam vantagem dos democratas, sobretudo na Câmara, e uma disputa mais equilibrada no Senado. O pano de fundo é a rejeição ao presidente: 66% dos americanos desaprovam a gestão Trump, o maior índice já registrado pela pesquisa Reuters/Ipsos, de acordo com o g1.
- Câmara: o modelo estatístico do The Economist, adotado como referência pelo BTG Pactual, projeta 239 cadeiras para os democratas e 196 para os republicanos, com 96% de probabilidade de maioria democrata. A plataforma de previsões Polymarket atribuía 92% de chance ao partido.
- Senado: o cenário-base do modelo próprio do BTG prevê 51 democratas e 49 republicanos. A probabilidade de maioria democrata varia de 65% (cotações do Polymarket) a 72% (modelo do banco).
Os cenários que a reportagem descreve dependem do resultado em cada Casa. Com as duas, os democratas controlariam a pauta legislativa e as comissões que fiscalizam o Executivo, além de ter mais influência sobre indicações a cargos como os do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) e da Suprema Corte. Se vencerem só na Câmara, poderão dificultar projetos e a liberação de recursos, mas os republicanos manteriam o Senado e a influência sobre as nomeações; Trump conservaria o poder de veto.
Avaliação dos economistas
Andressa Durão, economista do ASA, afirmou que as apostas de mercado se deslocam a favor de uma “onda democrata”, o que enfraqueceria o Partido Republicano e ampliaria a fiscalização sobre o governo. Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research, relaciona o desgaste de Trump à insatisfação com o custo de vida, em especial com os combustíveis: a gasolina estaria acima de US$ 4 por galão e o diesel, de US$ 6. Para ele, a retomada de ao menos uma das Casas já bastaria para dificultar a agenda legislativa do presidente. Sung também avalia que o mercado ainda não considerou plenamente a hipótese de vitória democrata nas duas Casas, cenário em que o impasse com o governo e pautas de confronto, como um eventual impeachment, aumentariam a volatilidade global.
Como chega ao Brasil
De acordo com a reportagem, os efeitos viriam por dois caminhos: os rendimentos dos títulos do Tesouro americano e a cotação do dólar. Se as decisões do Congresso sobre gastos e impostos levarem investidores a esperar despesas maiores que a arrecadação, os juros desses títulos, referência para aplicações no mundo todo, podem subir. Com rendimentos mais altos nos EUA, investidores podem retirar recursos de emergentes como o Brasil; menos dinheiro entrando tende a elevar o dólar e as taxas de juros futuras no país, o que influencia as expectativas sobre a Selic.
O que falta saber
O resultado só será conhecido com a apuração, que pode levar dias em alguns estados, como o Os Poderes explicou em Sem órgão nacional, apuração das midterms varia por estado e pode levar dias. As disputas do Senado estão em Democratas precisam virar 4 cadeiras no Senado dos EUA; veja as 8 disputas. Esta matéria será atualizada com os resultados oficiais e a reação dos mercados.






















