Economia

Moody’s: maior desafio de Lula 4 é aprovar reformas num Congresso à direita

Vice-presidente sênior da agência diz que juros altos e dívida em alta pressionam as contas; nota do Brasil segue em Ba1, com perspectiva estável.

Torres e cúpulas do Congresso Nacional vistas da Esplanada dos Ministérios, com gramado em primeiro plano e céu parcialmente nublado
Congresso Nacional visto da Esplanada, em Brasília, em 11/1/2024. Foto de arquivo: Agência Senado — CC BY 2.0. A imagem não registra a entrevista citada. Origem da fotografia. Condição de uso.

O principal desafio do novo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) será conseguir aprovar no Congresso as medidas fiscais, num Legislativo que “se deslocou para a direita”. A avaliação é de William Foster, vice-presidente sênior da agência de classificação de risco Moody’s Ratings, em entrevista ao CNN Money, publicada nesta sexta-feira (30).

O que ele disse sobre o Congresso

Para Foster, não basta elaborar boas políticas e conquistar a credibilidade do mercado: é preciso aprovar a legislação que as sustente. Ele afirmou que o desafio será maior que o do mandato anterior, por causa da mudança na composição do Legislativo, e que Lula precisará negociar acordos com o centro. Propostas de emenda à Constituição exigem três quintos dos votos de deputados e senadores.

Nota de crédito e despesas

A Moody’s mantém a nota soberana do Brasil em Ba1, um degrau abaixo do grau de investimento, com perspectiva estável. Segundo Foster, a evolução da política fiscal será o principal fator para uma eventual mudança. Ele defendeu rever o crescimento das despesas obrigatórias, muitas corrigidas pelo salário mínimo e pela inflação, o que, na avaliação dele, poderia reduzir os déficits primários e, no futuro, estabilizar a dívida.

Juros e dívida

O executivo apontou o custo de financiamento da dívida como outra preocupação: os pagamentos de juros equivalem a cerca de 20% das receitas públicas e superam 8% do PIB, e mais de 40% da dívida está ligada a taxas flutuantes vinculadas à Selic. Com prazo médio da dívida em torno de quatro anos, disse, o país é mais vulnerável a juros altos por períodos longos. Segundo ele, a relação entre dívida pública e PIB passou de cerca de 72% para 83% nos últimos anos.

Foster vê possibilidade de redução gradual dos juros se houver reequilíbrio fiscal, que daria mais confiança ao Banco Central para cortar a taxa. Ele também alertou para o risco de dominância fiscal, quando as pressões das contas públicas dificultam a condução da política monetária.

O que fica de fora

A fala é de um executivo de uma agência, e não uma decisão da Moody’s sobre a nota do Brasil. A entrevista não anuncia revisão de classificação nem prazo para ela. Os números citados são do entrevistado e não foram conferidos em série oficial por este portal.

Fonte: entrevista exclusiva ao CNN Money, da CNN Brasil, publicada em 30/10/2026 às 4h31, lida por este portal às 18h.

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