O governo federal criou uma força-tarefa interministerial para receber denúncias de ameaças e ataques contra comunidades indígenas de Mato Grosso do Sul após o 2º turno das eleições, disputado em 25 de outubro. A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) afirma ter contabilizado mais de 30 casos de violência ligados ao processo eleitoral no estado. O Ministério Público Federal (MPF) abriu procedimentos para verificar as acusações e, em um dos casos, concluiu que as denúncias eram boatos.
O que o governo anunciou
Na quinta-feira (29), o ministro dos Povos Indígenas, Eloy Terena, anunciou a força-tarefa. Segundo ele, o Ministério da Justiça também pediu a todas as corregedorias estaduais e à do Distrito Federal que enviem as denúncias recebidas, para que o governo federal as centralize. O Ministério dos Povos Indígenas e a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) informaram ter acionado a Polícia Federal e acompanham as denúncias contra os guarani-kaiowá.
O que a Apib relata
De acordo com a Apib, a casa de uma rezadeira de 90 anos, Ñandesy Roberta, foi incendiada na manhã de quinta-feira, na aldeia Jaguapiré, em Tacuru, a cerca de 427 quilômetros de Campo Grande. A entidade diz que o incêndio foi criminoso e destruiu também instrumentos sagrados usados em rituais do povo kaiowá e guarani, o que classificou como violação do direito à liberdade religiosa.
Em vídeo divulgado nesta sexta-feira (30), um dos coordenadores da Apib, Voninho Guarani Kaiowá, disse que ameaças e ataques se intensificaram nos últimos dias e que as ocorrências incluem atropelamentos que já teriam resultado em mortes; um dos casos, afirmou, foi em Tacuru, na noite de domingo. Ele cobrou das autoridades que investiguem e punam os responsáveis. A reportagem-fonte não detalha esses casos nem informa a conclusão de investigação sobre eles.
Áudios com servidores municipais
Logo após o resultado do 2º turno, circularam nas redes mensagens de áudio que atribuem ao voto indígena a vitória de Lula (PT). Em uma delas, um homem não identificado sugere envenenar a água que abastece uma aldeia de Tacuru. O prefeito do município, Rogério Torquetti (PSDB), confirmou que o autor é servidor municipal. Em vídeo, ele chamou o episódio de “assunto chato demais da conta”, disse que o servidor é “excelente” e sustentou que o homem não mencionou indígenas. A prefeitura afirmou ter afastado o servidor temporariamente e aberto processo administrativo disciplinar. Segundo o prefeito, ele não trabalha no abastecimento de água nem dirige carros-pipa, ao contrário do que sugeriram algumas postagens.
Em outro áudio, um segundo servidor municipal, também não identificado, ofende indígenas por, segundo ele, terem votado no candidato petista e ameaça um interlocutor.
O que diz o MPF
O MPF em Mato Grosso do Sul informou que abriu procedimentos, a partir das denúncias que a Apib levou a órgãos federais, para apurar se as acusações procedem e garantir a proteção dos territórios. O órgão não confirmou crimes em todos os casos. Em Naviraí, a cerca de 350 quilômetros de Campo Grande, o procurador responsável concluiu que as denúncias de supostos homicídios por conflito político eram boatos e que imagens fora de contexto foram associadas, falsamente, a um suposto ataque contra indígenas. Em Tacuru, o MPF deu prazo de 48 horas para a prefeitura prestar informações sobre a atuação dos servidores e recomendou o afastamento cautelar e a abertura de processo disciplinar.
O que ainda falta
Os números de casos são da Apib e não foram confirmados de forma independente nem por autoridade; o MPF, em um município, classificou denúncias como desinformação. Não há, na reportagem lida, balanço oficial da força-tarefa nem resultado das apurações da Polícia Federal.
Fonte: texto da Agência Brasil republicado pelo Poder360 em 30/10/2026, lido por este portal às 18h. O mapa de localização é apenas ilustrativo.






















