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PGR deve pedir arquivamento do inquérito das fake news, diz reportagem

Segundo levantamento obtido por reportagem, só oito denúncias estão ligadas ao objetivo inicial da investigação; o presidente do STF, Edson Fachin, quer encerrar o caso assim que a Procuradoria-Geral da República pedir o arquivamento.

O ministro Edson Fachin, presidente do Supremo Tribunal Federal, de terno azul-marinho e gravata azul, em Brasília
O presidente do STF, ministro Edson Fachin, em Brasília, em 11 de março de 2026. Foto de arquivo: Governo do Rio Grande do Sul — CC BY-SA 4.0; recorte do OsPoderes. A imagem não registra o inquérito das fake news. Origem da fotografia. Condição de uso.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) deve pedir na próxima semana o arquivamento do inquérito das fake news, segundo reportagem publicada neste domingo (8), e o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, pretende encerrar o caso logo depois, de acordo com interlocutores ouvidos pela reportagem. O pedido ainda não foi apresentado, e não há decisão do STF sobre o fim da investigação. Aberto em 2019, o Inquérito 4.781 virou um dos instrumentos de maior poder do tribunal, sob a relatoria do ministro Alexandre de Moraes.

O que mostra o levantamento

Dados obtidos pela reportagem indicam que o inquérito original e as ramificações resultaram em apenas oito denúncias da PGR efetivamente ligadas ao objetivo inicial da apuração: injúria, calúnia, difamação ou ameaças a ministros do STF. O universo é de centenas de procedimentos abertos, muitos de ofício, isto é, sem pedido do Ministério Público.

  • 220 arquivamentos e 11 casos enviados a instâncias inferiores.
  • Os números incluem processos sobre os ataques golpistas de 8 de janeiro de 2023, que chegaram a Moraes por conexão com o inquérito: seriam 2.015 denúncias contra incitadores, financiadores e executores, além de quem bloqueou rodovias após as eleições de 2022.
  • Só o Inquérito 4.781 soma cerca de 12 mil páginas, em boa parte prints de redes sociais, reportagens, depoimentos e quebras de sigilo bancário e telemático.

O universo completo segue desconhecido: Moraes ainda conduz processos ligados ao caso, e não são públicos o total de investigações abertas, os alvos, quantos têm foro no STF nem o número e o tipo de medidas cautelares, como bloqueio de bens e de redes sociais.

O que Fachin já fez

Fachin avocou o inquérito em 9 de setembro, quando a Presidência assumiu a condução do caso com o objetivo de encerrá-lo, segundo a reportagem. Moraes enviou à Presidência os 104 casos sem denúncia. A Presidência do STF afirma que a prioridade é avaliar se a finalidade do inquérito e dos procedimentos vinculados foi cumprida, e que vai divulgar o número de pessoas envolvidas, se têm ou não foro no tribunal, e a quantidade e o tipo de cautelares.

Em 27 de outubro, o STF informou que Fachin determinou o arquivamento de cinco investigações ligadas ao inquérito, em decisões que atenderam a manifestações da PGR sobre ausência de provas ou prescrição. Entre os investigados estavam o presidente do PCO, Rui Costa Pimenta, o ex-ministro Gilson Machado e o deputado estadual Alex Brasil. Em quatro dos casos, o ministro ressalvou que as investigações podem ser reabertas se surgirem novas provas e determinou o fim do sigilo das decisões. A reportagem lembra que Fachin já havia arquivado casos contra Eduardo Bolsonaro, o pastor Silas Malafaia e o jornalista Guilherme Fiuza.

O que vem depois

Segundo a reportagem, o arquivamento não deve deixar Moraes “desarmado”: a leitura, nos bastidores, é a de que ele pode replicar o modelo em outros processos, como a ADPF das Favelas, que passou a embasar investigações sobre o crime organizado, e o inquérito sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o advogado Willer Tomaz, sobre suspeitas de lavagem de dinheiro. Trata-se de avaliação de interlocutores, não de decisão. A reportagem também registra receio, entre pessoas ligadas ao STF, de que a divulgação de um balanço consolidado devolva fôlego às críticas ao tribunal e levante questionamentos sobre a conduta de Moraes.

O que falta: o pedido da PGR e a decisão de Fachin; um balanço oficial do STF com os números do caso; e a posição de Moraes, que não foi localizada nas informações apuradas pelo OsPoderes.

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