Economia

Selic de 13,75% iguala a de 2023 e juros no exterior travam novos cortes

Depois de cinco cortes seguidos, o Copom manteve a taxa básica em 13,75% em 4 de novembro; economistas veem o patamar até 2027, com alta de juros no Reino Unido e gastos públicos pesando.

Torres de vidro escuro e faixa de concreto claro do edifício-sede do Banco Central do Brasil, com palmeira e copa de árvore em primeiro plano sob céu azul

Edifício-sede do Banco Central, em Brasília, em fevereiro de 2015. Foto de arquivo: Jonas Pereira/Agência Senado — CC BY 2.0 (recorte). A imagem não registra a decisão do Copom. Origem da fotografia. Condição de uso.

A taxa básica de juros, a Selic, está em 13,75% ao ano, o mesmo nível de janeiro de 2023, quando Luiz Inácio Lula da Silva (PT) começou o terceiro mandato. O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central manteve a taxa na quarta-feira (4), depois de cinco reuniões seguidas de corte, e economistas ouvidos na apuração esperam que o patamar continue até 2027. Se isso se confirmar, Lula começará o quarto mandato com a Selic igual à do início do terceiro.

O que mostram os números

  • A Selic estava em 15% ao ano em janeiro de 2026, o maior patamar do terceiro mandato, e começou a cair em março. Chegou a 13,75% em setembro e ficou nesse valor em outubro e novembro, segundo a série de meta de juros do Banco Central (SGS 432), conferida pelo OsPoderes.
  • Em janeiro de 2023 a mesma série registra 13,75%.
  • Antes da decisão, um levantamento com 105 instituições financeiras mostrava 72 apostando na manutenção e 33 num novo corte de 0,25 ponto percentual, para 13,50%.
  • A próxima reunião do Copom está marcada para 8 e 9 de dezembro. A ata da reunião de 4 de novembro sai em 10 de novembro.

O cenário lá fora

Na quinta-feira (5), o Banco da Inglaterra elevou os juros em 0,25 ponto percentual, para 4% ao ano, o primeiro aumento desde agosto de 2023, citando a escalada do conflito no Oriente Médio, a alta dos preços de energia e uma atividade mais forte que a esperada. O OsPoderes já havia publicado a decisão britânica. Nos Estados Unidos, o Federal Reserve manteve em outubro os juros entre 3,75% e 4,00%.

Juros altos em países ricos tornam seus títulos mais atraentes frente aos de emergentes como o Brasil, o que pode reduzir a entrada de dólares, pressionar o câmbio e encarecer importados, argumenta o economista Écio Costa, professor da Universidade Federal de Pernambuco. Para ele, porém, o desequilíbrio fiscal e a inflação internos pesam ainda mais do que o cenário externo.

O peso dos gastos e da dívida

Segundo estimativa dos economistas Mansueto Almeida e Samuel Pessôa, do BTG Pactual, os gastos primários do governo federal devem crescer 21% em termos reais de 2023 a 2026, quase o dobro dos 11% projetados para a economia no período. Para o economista José Ronaldo de Souza, a diferença reforça a necessidade de contenção para aliviar a pressão sobre os preços; sem sinal de mudança de política, diz, a trajetória da dívida se consolida e o custo de financiá-la aumenta.

A dívida pública subiu 11,2 pontos percentuais do PIB, de 71,7% em dezembro de 2022 para 82,9% em setembro, como o OsPoderes mostrou ao tratar do déficit primário. A parcela da dívida federal atrelada à Selic chegou a um recorde de 52,74% em agosto e recuou a 51,60% em setembro, o que torna a taxa mais custosa para as contas públicas.

O debate sobre baixar os juros

O economista André Lara Resende, um dos formuladores do Plano Real, propôs em artigo a criação de um conselho no governo para levar a Selic a 7,5% em um ano, ideia que parte do PT defendeu. Lara Resende negou contato com Lula sobre o tema, enquanto o governo discute o ajuste das contas.

Não há, até agora, sinal oficial de que o Banco Central retome os cortes antes de 2027: a decisão de dezembro dependerá dos indicadores de inflação, da atividade e das medidas fiscais que o governo anunciar. As projeções de manutenção até 2027 são estimativas de economistas, não compromisso do Copom.

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