O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou, em entrevista a um jornal americano publicada no sábado (7), que foi acolhido nos Estados Unidos porque o presidente Donald Trump está “convencido de que o Brasil não é mais uma democracia plena”. A conversa ocorreu na quinta-feira (5), em Aventura, ao norte de Miami, na Flórida. As declarações são do senador e não foram verificadas de forma independente pelo OsPoderes.
O que Flávio disse
- Sobre o TSE: afirmou que o presidente do tribunal, ministro Kassio Nunes Marques, “não sabe do que está falando” ao classificar a eleição como justa. “Nem eu, nem você, nem ninguém (…) pode dizer com 100% de certeza de que não houve fraude”, disse.
- Sobre as instituições: disse que as americanas ainda funcionam e que, no Brasil, “elas não funcionam mais”, sem apresentar provas.
- Sobre o pai: relatou o último encontro com Jair Bolsonaro antes de deixar o país: “Meu pai olhou para mim, com lágrimas em seus olhos, e disse: ‘Você já sabe onde isso vai chegar’”.
- Sobre o futuro: recusou-se a dar detalhes da saída do Brasil e afirmou que “ainda é muito cedo” para decisões definitivas, mas que precisa “colocar em ordem” a própria situação de imigrante.
O que o jornal registrou
O texto do jornal americano trata a ida do senador aos EUA como uma “fuga secreta” e afirma que as autoridades brasileiras não encontraram irregularidades na eleição, cujo resultado o sistema eleitoral costuma divulgar em poucas horas. Segundo a publicação, Flávio, a mulher e as duas filhas foram recebidos pelo governo Trump por razões “humanitárias”, e Trump teria dito que ele pode ficar “pelo tempo que desejar”. Ainda não está claro se os democratas, vitoriosos nas eleições de meio de mandato, vão se opor à permanência.
A reportagem também cita, sob anonimato, um integrante de alto escalão do governo brasileiro, que disse que a polícia investiga se uma rede de agentes dos EUA, da Argentina e de Israel ajudou na saída do senador, e que um ex-agente do Mossad teria sido visto acompanhando a van que o levou à fronteira com a Argentina. Essa pessoa avaliou que a polícia tem “zero chance” de capturá-lo enquanto ele estiver nos EUA. Trata-se de relato anônimo, sem confirmação oficial. O secretário de Estado americano, Marco Rubio, rebateu a versão, dizendo que o governo dos EUA “não esteve diretamente envolvido em nenhum dos movimentos” de Flávio.
Segundo o jornal, aliados políticos do senador o criticam em privado: um deles o chamou de “fraco” e disse que a saída “foi a pior coisa que poderia ter feito”. O texto também menciona o irmão, Eduardo Bolsonaro, que vive no Texas e afirmou em vídeo que a operação teve de “enganar a todos”.
O contexto
A pesquisa Quaest divulgada no domingo (8) mostra que 62% dos entrevistados consideram errada a saída de Flávio do país e que 59% rejeitam o discurso em que ele contesta o resultado das urnas (veja os números). Em outra entrevista, ao jornalista Glenn Greenwald, o senador negou ter acionado governos estrangeiros (relembre), e admitiu não ter provas de fraude (leia). Ministros do STF, como Gilmar Mendes, já classificaram as críticas ao resultado como levianas (entenda).
O que falta: a íntegra da entrevista original não foi consultada diretamente; as aspas acima vêm de reportagem que a resumiu. Não há, até esta publicação, manifestação do TSE sobre as críticas feitas na entrevista.





















