O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que está nos Estados Unidos desde 28 de outubro, admitiu não ter provas de fraude na eleição presidencial em entrevistas divulgadas nesta sexta-feira (6). Questionado diretamente sobre a ausência de evidências, respondeu “não tenho” e disse que, por isso, não vai contestar o resultado na Justiça brasileira. Mesmo assim, afirmou que nem ele nem o presidente Lula podem dizer “com 100% de certeza” quem foi eleito, e voltou a levantar suspeitas sobre o período em que a votação foi prorrogada. São declarações do senador, sem comprovação apresentada.
O que ele disse
- Prorrogação: Flávio critica a decisão do ministro Cristiano Zanin, do STF, que estendeu a votação em 25 de outubro; reconhece que pouco mais de 34 mil eleitores votaram depois das 17h e diz que sua desconfiança se refere ao que teria ocorrido dentro do TSE no período. O presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, atestou a lisura das eleições e disse ter “absoluta segurança do processo eleitoral”. Partidos que apoiaram Flávio, inclusive o PL, reconheceram o resultado.
- Estratégia jurídica: segundo ele, o PL pedirá a cassação da chapa Lula-Alckmin por abuso de poder político e econômico, com base em medidas como o aumento do Bolsa Família, o Pé-de-Meia Universitário e o repasse de um Pix de R$ 5.000 a microempreendedores. O TSE já admitiu ações desse tipo; veja a matéria sobre as três ações contra Flávio.
- Volta ao Brasil: diz que não pretende cometer “o mesmo erro” do pai, Jair Bolsonaro, que voltou em 2023, após três meses na Flórida, e foi preso pouco mais de dois anos depois. Afirma que não decidiu onde morar, vive de reservas e que continuará participando de sessões do Senado de forma virtual, quando possível.
- 2030: diz que “todo mundo tem o direito de se colocar como candidato”, que concorrerá se o partido concordar e que, se Jair Bolsonaro recuperar os direitos políticos, o candidato será o pai. A fala vem depois de o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) admitir disputar a Presidência em 2030.
- Críticas ao sistema: chamou o STF de “comprometido”, o TSE de “dominado pelo governo” e a Polícia Federal e o Ministério Público Federal de “aparelhados”, e defendeu o voto impresso. Disse ter saído do país para não “legitimar processo ditatorial” comandado pelo ministro Alexandre de Moraes.
O que ele não disse
Flávio recusou-se a falar sobre quem planejou ou pagou sua saída do Brasil (“não vou falar sobre isso para ninguém”) e negou ligação do governo israelense com a viagem, ao ser perguntado sobre a reportagem que citou um ex-agente do Mossad. Disse não ter procurado nem sido procurado por integrantes do governo americano desde que chegou e que pensa agora em regularizar sua situação migratória. Veja a matéria sobre a entrevista a Glenn Greenwald.
O que está confirmado e o que não está
Os dados oficiais não registram fraude, e o TSE atesta o resultado; Flávio não apresentou elementos que sustentem a suspeita. Ele deixou o país depois de descumprir determinação de Moraes para entregar os passaportes e não sair do Brasil. A primeira versão da carta divulgada em 28 de outubro, que o chamava de “presidente eleito”, foi substituída por outra; na entrevista, ele disse já ter revisto essa parte.
Montagem do OsPoderes com fotos de arquivo de Flávio Bolsonaro e de Kassio Nunes Marques; as imagens não registram as entrevistas.






















