O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) negou, em entrevista ao jornalista Glenn Greenwald gravada na quinta-feira (5), em Miami, e divulgada nesta sexta-feira (6), ter acionado os governos da Argentina, dos Estados Unidos e de Israel para organizar a saída do Brasil depois da derrota para Lula. Questionado sobre contatos com autoridades estrangeiras, respondeu: “Não falei com ninguém”. Recusou-se a dizer quem financiou o deslocamento ou o ajudou na viagem, com o argumento de que a informação poderia expor outras pessoas a investigações. São declarações do senador, não confirmadas de forma independente.
O que ele afirmou sobre a viagem
- Cronologia dada por ele: a decisão de viajar foi tomada com a mulher, Fernanda, em 26 de outubro, depois de uma visita ao pai, Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar. Ele deixou o Brasil em 27 de outubro e chegou a Miami no dia seguinte, depois de passar pela Argentina e pelo Equador.
- Ordem judicial: a viagem ocorreu depois de determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, para que ele entregasse os passaportes e não deixasse o país; a determinação não foi cumprida. Flávio sustenta que saiu por temer ser preso.
- Contraste com outras reportagens: jornais americanos publicaram que o jato usado teria sido providenciado por Jason Miller, ligado ao governo de Donald Trump, e um jornal argentino relatou a presença de Santiago Caputo, assessor do presidente Javier Milei, em Puerto Iguazú durante a passagem do senador pela região. Em entrevista publicada na quinta, o senador já havia negado a participação de governos estrangeiros e dito que levaria os detalhes da saída “para o túmulo”; segundo o mesmo jornal americano, Trump autorizou pessoalmente a entrada dele nos EUA, o que vem de autoridades ouvidas pela reportagem, não de documento público.
“Todos desconfiam”: fala sem provas
Flávio afirmou ter certeza de que, “no fundo”, seus aliados desconfiam do resultado da eleição, mas evitam dizer em público por medo de represálias judiciais. Ele não apresentou provas de fraude nem evidências de que aliados compartilhem essa suspeita. A fala contrasta com a posição pública de dirigentes do PL e de aliados: o presidente do partido, Valdemar Costa Neto, reconheceu a vitória de Lula em 26 de outubro, e o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha, disse não ter contato com ele desde 27 de outubro. Lula foi reeleito com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio, no segundo turno de 25 de outubro.
Vida nos EUA
Flávio disse que pretende trabalhar como advogado ou empresário nos Estados Unidos, caso decida permanecer no país, e que sua principal fonte de renda “não é da política, é da iniciativa privada, como advogado”. Afirmou que dispõe de reservas para sustentar a família neste primeiro momento, que desconhece as exigências para advogar nos EUA e que ainda não decidiu onde viverá. Citou como atividade empresarial a Bravo Grafeno, empresa de produtos com grafeno.
Contexto da entrevista
Greenwald foi alvo de denúncia do Ministério Público Federal em 2020, depois das reportagens da Vaza Jato; a Justiça rejeitou a denúncia. Flávio disse, no início da conversa, que o jornalista também teria sofrido perseguição do Estado, comparação que é opinião dele e não está demonstrada pelo episódio citado.
Veja o acompanhamento do caso Flávio nos EUA e as três novas ações do TSE contra ele.






















