O governo de Donald Trump prometeu US$ 15 bilhões em apoio a produtores rurais americanos a dois dias das eleições de meio de mandato (as midterms, na terça, 3), em que os republicanos podem perder o controle do Congresso. A informação é de reportagem do Estadão, com texto da agência AP, publicada neste domingo (1º). Entre as promessas estão a compensação dos custos de diesel e de fertilizantes.
O que está no pacote
- Dos US$ 15 bilhões, mais da metade será destinada a compensar custos de diesel.
- Ao menos US$ 5 bilhões em empréstimos garantidos para pecuaristas e pescadores.
- US$ 1,8 bilhão para proprietários de terras que participaram de programas de conservação.
- US$ 573 milhões para projetos de fabricação de fertilizantes e US$ 57 milhões para a expansão de frigoríficos.
- US$ 86,6 milhões em subsídios a produtores de culturas especiais.
- Fora desse total, o governo planeja outros US$ 13,8 bilhões para cobrir prejuízos da safra do ano passado de milho, soja, trigo e arroz.
Por que agora
Segundo a reportagem, a estratégia busca garantir comparecimento em estados agrícolas, onde as cadeiras no Congresso tradicionalmente são republicanas, mas agora estão ameaçadas. Trump também tem feito visitas oficiais a áreas rurais, como Iowa e Kansas, nas últimas semanas. O ano foi difícil para os produtores: fertilizantes e combustível mais caros reduziram margens, e o “tarifaço” do ano passado elevou o custo de equipamentos, enquanto a guerra comercial com a China levou a um quase boicote aos produtos agrícolas dos EUA. Na sexta-feira (30), o diesel custava em média US$ 6,32 por galão, 70% mais que um ano antes.
O que dizem os especialistas
Gregg Ibendahl, especialista em gestão agrícola da Universidade Estadual do Kansas, avalia que o valor prometido é “mais do que suficiente” para cobrir o diesel e pode compensar o custo dos fertilizantes. Para ele, porém, o pacote pode salvar os agricultores do prejuízo neste ano, mas não resolve os problemas do setor. A cientista política Alexandra Middlewood, da Universidade Estadual de Wichita, ouviu reações mistas: produtores aliviados, mas que veem os programas como socorros pontuais.
Michael Smith, da Emporia State University, lembra que as deportações ameaçaram a mão de obra agrícola e que cortes na ajuda externa e no SNAP afetaram o mercado de produtos do campo; segundo ele, muitos eleitores rurais gostam de Trump, mas nem sempre das políticas.
Limites desta apuração
O texto foi redigido a partir da reportagem do Estadão/AP, lida às 15h de 1º/11/2026. Os anúncios do Departamento de Agricultura não foram consultados diretamente, e a reportagem não detalha datas de pagamento nem os critérios de elegibilidade. Sobre a eleição, veja Midterms de terça (3): o que está em jogo e Trump diz que aceitará resultado se eleição for ‘honesta’.





















