Economia

Itaú corta PIB de 2027 para 0,5% e vê IPCA de 6,1%, acima do teto da meta

Banco também passa a esperar a Selic em 13,75% durante todo 2027; revisão atribui o quadro a câmbio mais caro, mudanças tributárias e juros altos, segundo reportagem.

Fachada de uma agência do Itaú, com o logotipo azul na parede laranja e rampa de acesso
Agência do Itaú em Telêmaco Borba (PR), em 2/12/2019. Foto de arquivo: Simplus Menegati — CC BY-SA 4.0. A imagem não registra a revisão de projeções. Origem da fotografia. Condição de uso.

O Itaú cortou de 1,2% para 0,5% a projeção de crescimento do PIB brasileiro em 2027 e elevou de 4,6% para 6,1% a estimativa de inflação (IPCA) no mesmo ano, acima do teto de 4,5% da meta de 3% perseguida pelo Banco Central. A revisão de cenário foi divulgada na sexta-feira (30), segundo a Folha de S.Paulo, que a relatou às 22h45. Este portal não leu o relatório do banco: os números abaixo vêm da reportagem.

As novas projeções

Indicador Antes Agora
PIB 2027 1,2% 0,5%
PIB 2026 1,7% 1,6%
IPCA 2027 4,6% 6,1%
IPCA 2026 5,1% 5,2%
Selic no fim de 2027 12,50% 13,75%
Desemprego 2027 6,2% 6,5%
Dólar 2026 R$ 5,30 R$ 5,40
Dólar 2027 R$ 5,50 R$ 5,60

O banco manteve em 5,7% a projeção de desemprego para 2026. Na leitura dos economistas do Itaú, segundo a reportagem, o PIB deve ter recuado 0,1% no terceiro trimestre em relação ao segundo, e o resultado não é visto como perda pontual de ritmo, mas como desaceleração mais longa da demanda interna, com o fim dos estímulos fiscais e o efeito acumulado dos juros altos.

Por que a inflação sobe

Segundo a Folha, a maior parte da revisão do IPCA de 2027 vem de mudanças tributárias e regulatórias que o banco passou a incluir no cenário-base: a volta do PIS/Cofins sobre a gasolina, o fim da subvenção ao diesel no segundo semestre e o reajuste do ICMS já anunciado. Entram ainda os possíveis efeitos da reforma tributária sobre os preços, os da mudança na jornada de trabalho (o fim da escala 6×1) sobre o custo da mão de obra e um dólar mais caro em média.

O Itaú avalia que o balanço de riscos para a inflação segue “assimétrico para cima”, com câmbio mais depreciado e petróleo mais alto; do lado contrário, aponta a manutenção dos subsídios aos combustíveis e a gratuidade do transporte por ônibus em fins de semana e feriados.

Juros e fiscal

A previsão agora é que o Copom interrompa o ciclo de cortes na próxima reunião e mantenha a Selic em 13,75% ao longo de 2027. O banco afirma que o quadro exige um ajuste fiscal relevante, da ordem de 4 pontos percentuais do PIB, centrado no controle de despesas, e que uma âncora fiscal crível é condição para reduzir os juros reais de forma estrutural. Uma desvalorização maior do real ou nova piora das expectativas poderia levar o BC a voltar a subir a Selic; uma desaceleração mais forte da economia ou um anúncio fiscal mais próximo do real abriria espaço para cortes graduais.

O que ainda não se sabe

São projeções de uma instituição financeira, não dados oficiais, e dependem de decisões ainda não tomadas, como o desenho da equipe econômica e do ajuste fiscal do próximo governo. Para o contexto, veja a pior semana da Bolsa desde 2020, o impasse sobre o ajuste fiscal e a avaliação da Moody’s sobre as reformas.

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