Os principais diplomatas do G20 encerraram neste sábado (31), em Atlanta, dois dias de negociações sem consenso sobre vários temas críticos de segurança global, e o grupo não divulgará um comunicado conjunto. Em vez disso, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, deve divulgar uma declaração da presidência da reunião resumindo as discussões, segundo diplomatas presentes, de acordo com o Estadão, em texto traduzido com ferramentas de inteligência artificial e revisado pela redação do jornal.
Onde travou
A reportagem diz que as divergências sobre a guerra da Rússia contra a Ucrânia ofuscaram o início do encontro. Diplomatas ouvidos sob anonimato afirmam que a posição russa sobre a Ucrânia é inflexível, assim como a oposição da Rússia à presença da Polônia no G20, e que há atrito também pela decisão do governo Trump de não convidar a África do Sul, que é membro do grupo. Entre os outros focos de divergência estão a guerra de EUA e Israel contra o Irã, as tarifas americanas e os movimentos da China no Mar da China Meridional.
O chanceler polonês, Radosław Sikorski, disse na sexta-feira (30) que não se surpreendeu: “Temos guerras em curso”, afirmou, com participantes dessas guerras à mesa. Segundo os diplomatas, a declaração da presidência já estava prevista havia tempo, por causa das diferenças. O chanceler russo, Serguei Lavrov, afirmou que Moscou não permitirá que a Ucrânia represente uma ameaça militar aos interesses de segurança legítimos da Rússia, segundo a reportagem.
A foto cancelada
Na sexta, Rubio cancelou a tradicional foto de grupo dos chanceleres depois que diplomatas europeus se opuseram à presença de Lavrov e ameaçaram boicotar ou deixar a fotografia. Este portal já noticiou o cancelamento da foto. No mesmo dia, o Departamento de Estado anunciou a aprovação da venda de interceptadores de defesa aérea Patriot à Ucrânia, no valor de US$ 2,1 bilhões, informa a reportagem.
O que vem a seguir
Os diplomatas disseram que todos concordaram em tentar superar as diferenças e em trabalhar para que a cúpula de líderes do G20, no mês que vem, organizada por Trump na Flórida, seja bem-sucedida. A reportagem registra que não se sabe se o presidente russo, Vladimir Putin, aceitará o convite para participar. O texto diz ainda que a perspectiva de nova intervenção militar dos EUA no Irã paira sobre o encontro e que, segundo a Associated Press, autoridades americanas pediram a países do Oriente Médio e a aliados que se preparem para possíveis novos ataques depois das eleições de meio de mandato de 3 de novembro.
O ministro Mauro Vieira esteve em Atlanta: ele e Rubio combinaram nova reunião antes da cúpula.
Limites da apuração
As informações sobre a declaração da presidência e as divergências vêm de diplomatas que falaram sob anonimato à reportagem do Estadão; este portal não leu o texto da declaração, que ainda não havia sido divulgada.






















