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MEC pediu à PF apurar ameaças a universidades; escolas relatam bullying político

Ministério diz ter acionado PF e AGU após ameaças a universidades federais; g1 reúne relatos de ofensas e exposição de crianças nas redes depois da eleição.

Letreiro dourado Ministério da Educação na parede de pastilhas brancas do prédio, emoldurado por galhos de árvore
Fachada do Ministério da Educação (MEC), na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, em 2015. Foto de arquivo: Senado Federal — CC BY 2.0. A imagem não registra os episódios descritos na matéria. Origem da fotografia. Condição de uso.

O Ministério da Educação (MEC) informou que pediu à Polícia Federal que investigue ameaças dirigidas a universidades federais, estudantes e professores, e acionou a Advocacia-Geral da União (AGU) para adotar medidas jurídicas. A informação consta de reportagem do g1 publicada às 3h de sábado (31) e atualizada às 7h37, que reúne relatos de bullying, ofensas e intimidações por divergência política em escolas e universidades depois da reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O que o MEC diz

Em nota ao g1, o ministério afirma que, depois da votação do primeiro turno, pediu à PF que apurasse as ameaças relatadas contra as universidades federais, seus estudantes e docentes. Os ofícios enviados à PF e à AGU citam a gravidade de ameaças de violência e de destruição patrimonial e o uso de símbolos nazistas contra as instituições. O MEC diz repudiar “qualquer tipo de ameaça, ofensa ou discriminação” no ambiente escolar e acadêmico e afirma que acompanha novas denúncias, após o resultado definitivo da eleição, para ampliar os subsídios à investigação em curso. A nota trata de ameaças contra universidades federais; não há, na reportagem lida, informação sobre inquérito aberto pela PF nem sobre providências já tomadas pela AGU.

Os casos relatados

Segundo o g1, os episódios envolvem estudantes das redes pública e privada em várias regiões, com intimidações, comentários preconceituosos, exposição de imagens de menores nas redes e até ameaças de violência sexual. No Rio de Janeiro, a reportagem conta que fotografias de crianças que participaram de uma manifestação estudantil em 7 de outubro, entre a Candelária e a Cinelândia, foram tiradas de redes de familiares e republicadas em perfis de extrema direita; uma das imagens foi alterada com inteligência artificial para ridicularizar os alunos. Responsáveis ouvidos pelo jornal afirmam ter registrado boletins de ocorrência e denunciado as publicações às plataformas Meta e X, que teriam respondido não ver motivo suficiente para retirá-las.

Depois do segundo turno, segundo a reportagem, que cita O Globo, alunos de uma escola particular da Barra da Tijuca tiveram fotos divulgadas em um perfil fechado de rede social, com ofensas à condição social e ameaças; os pais procuraram a Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima (DCAV), na Lapa, e o caso foi registrado como injúria e ameaça. O g1 cita ainda relatos publicados pela Folha de S.Paulo sobre escolas de São Paulo, do Paraná e do Distrito Federal, envolvendo estudantes de diferentes posições políticas.

O que dizem a Justiça e os especialistas

O juiz Sérgio Luiz Ribeiro, da 4ª Vara da Infância e da Juventude do Rio, disse ao g1 que o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) protege a integridade moral e o direito à imagem de menores e que o uso pejorativo da imagem de uma criança, inclusive por motivação política, pode configurar crime de injúria, caso em que a imagem deve ser retirada imediatamente. Ele afirmou que o ECA não trata especificamente do posicionamento político de estudantes e que as escolas têm margem para definir regras sobre símbolos e adesivos. A pesquisadora Danila Di Pietro, da Unicamp, defende que a escola promova educação política contínua em vez de proibir o tema.

O contexto da tensão pós-eleitoral está nas matérias do Os Poderes sobre os médicos acusados de perseguição política e sobre a força-tarefa para apurar ameaças a indígenas no Mato Grosso do Sul.

Limites desta apuração

Os relatos vêm de pais e responsáveis ouvidos pelo g1 e de reportagens citadas por ele; o Os Poderes não verificou de forma independente cada caso, e a matéria não identifica escolas nem menores. As falas do MEC são de nota enviada ao g1; não houve consulta direta ao ministério nem à PF. Fonte: g1, 31/10/2026, 3h (atualizada às 7h37), lida na íntegra às 8h.

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