O Ministério da Educação (MEC) informou que pediu à Polícia Federal que investigue ameaças dirigidas a universidades federais, estudantes e professores, e acionou a Advocacia-Geral da União (AGU) para adotar medidas jurídicas. A informação consta de reportagem do g1 publicada às 3h de sábado (31) e atualizada às 7h37, que reúne relatos de bullying, ofensas e intimidações por divergência política em escolas e universidades depois da reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O que o MEC diz
Em nota ao g1, o ministério afirma que, depois da votação do primeiro turno, pediu à PF que apurasse as ameaças relatadas contra as universidades federais, seus estudantes e docentes. Os ofícios enviados à PF e à AGU citam a gravidade de ameaças de violência e de destruição patrimonial e o uso de símbolos nazistas contra as instituições. O MEC diz repudiar “qualquer tipo de ameaça, ofensa ou discriminação” no ambiente escolar e acadêmico e afirma que acompanha novas denúncias, após o resultado definitivo da eleição, para ampliar os subsídios à investigação em curso. A nota trata de ameaças contra universidades federais; não há, na reportagem lida, informação sobre inquérito aberto pela PF nem sobre providências já tomadas pela AGU.
Os casos relatados
Segundo o g1, os episódios envolvem estudantes das redes pública e privada em várias regiões, com intimidações, comentários preconceituosos, exposição de imagens de menores nas redes e até ameaças de violência sexual. No Rio de Janeiro, a reportagem conta que fotografias de crianças que participaram de uma manifestação estudantil em 7 de outubro, entre a Candelária e a Cinelândia, foram tiradas de redes de familiares e republicadas em perfis de extrema direita; uma das imagens foi alterada com inteligência artificial para ridicularizar os alunos. Responsáveis ouvidos pelo jornal afirmam ter registrado boletins de ocorrência e denunciado as publicações às plataformas Meta e X, que teriam respondido não ver motivo suficiente para retirá-las.
Depois do segundo turno, segundo a reportagem, que cita O Globo, alunos de uma escola particular da Barra da Tijuca tiveram fotos divulgadas em um perfil fechado de rede social, com ofensas à condição social e ameaças; os pais procuraram a Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima (DCAV), na Lapa, e o caso foi registrado como injúria e ameaça. O g1 cita ainda relatos publicados pela Folha de S.Paulo sobre escolas de São Paulo, do Paraná e do Distrito Federal, envolvendo estudantes de diferentes posições políticas.
O que dizem a Justiça e os especialistas
O juiz Sérgio Luiz Ribeiro, da 4ª Vara da Infância e da Juventude do Rio, disse ao g1 que o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) protege a integridade moral e o direito à imagem de menores e que o uso pejorativo da imagem de uma criança, inclusive por motivação política, pode configurar crime de injúria, caso em que a imagem deve ser retirada imediatamente. Ele afirmou que o ECA não trata especificamente do posicionamento político de estudantes e que as escolas têm margem para definir regras sobre símbolos e adesivos. A pesquisadora Danila Di Pietro, da Unicamp, defende que a escola promova educação política contínua em vez de proibir o tema.
O contexto da tensão pós-eleitoral está nas matérias do Os Poderes sobre os médicos acusados de perseguição política e sobre a força-tarefa para apurar ameaças a indígenas no Mato Grosso do Sul.
Limites desta apuração
Os relatos vêm de pais e responsáveis ouvidos pelo g1 e de reportagens citadas por ele; o Os Poderes não verificou de forma independente cada caso, e a matéria não identifica escolas nem menores. As falas do MEC são de nota enviada ao g1; não houve consulta direta ao ministério nem à PF. Fonte: g1, 31/10/2026, 3h (atualizada às 7h37), lida na íntegra às 8h.






















