China

China expulsa recorde de 33 do Partido Comunista; 16 são das Forças Armadas

Comunicado ao fim do plenário do Comitê Central não detalha as acusações; presença de membros foi a menor em 14 anos de Xi Jinping, segundo reportagem.

Montagem com retrato de Xi Jinping, à esquerda, diante de uma bandeira vermelha, e do Grande Salão do Povo, em Pequim, à direita.
Montagem com duas fotos de arquivo: Xi Jinping (Presidencia de la República del Ecuador, 2025 — domínio público) e o Grande Salão do Povo, em Pequim (Windmemories, 26/10/2025 — CC BY-SA 4.0). As imagens não registram o plenário do Partido Comunista, realizado a portas fechadas em um hotel. Origem da foto de Xi. Origem da foto do Grande Salão. Condição de uso (Grande Salão).

O Partido Comunista da China expulsou 33 integrantes ao fim do quinto plenário do Comitê Central, encerrado na quinta-feira (29), em Pequim, número que a BBC News Brasil descreve como recorde. Dezesseis dos expulsos são das Forças Armadas, segundo o comunicado divulgado ao fim da reunião, que durou quatro dias e foi realizada a portas fechadas em um hotel da capital.

O que se sabe

  • Acusações não detalhadas. Segundo a reportagem, não está claro quais acusações pesam sobre cada expulso, além de “graves violações disciplinares e legais”, fórmula que se tornou comum na campanha anticorrupção do presidente Xi Jinping.
  • Recorde no mandato. Com as novas expulsões, sobe para 51 o total de integrantes expulsos no terceiro mandato de Xi, contra 35 no primeiro e cinco no segundo, de acordo com a BBC.
  • Plenário mais vazio. Participaram 279 integrantes do Comitê Central, contra 315 no quarto plenário (outubro de 2025) e 364 no terceiro (julho de 2024). A BBC afirma que é a primeira vez, em 14 anos de liderança de Xi, que a presença fica abaixo de 300; o comitê atual começou o mandato, em 2022, com mais de 370 membros.
  • Punições em massa. O principal órgão anticorrupção do país informou que 680 mil pessoas foram punidas disciplinarmente em toda a estrutura do partido nos nove primeiros meses do ano, conforme a reportagem.
  • Recado interno. No comunicado, o partido admitiu que a liderança partidária foi, em alguns momentos, enfraquecida ou esvaziada e disse que continuará a impor rigorosa autodisciplina, inclusive contra os próprios quadros.

Cúpula e militares

A BBC cita, entre os altos dirigentes expurgados, o ex-chefe do partido em Xinjiang Ma Xingrui, os ex-generais Zhang Youxia e Liu Zhenli e o ex-diplomata Liu Jianchao. O trecho lido não esclarece quais dessas saídas ocorreram neste plenário e quais vêm de decisões anteriores.

Zhang Youxia foi vice-presidente da Comissão Militar Central, que tinha sete integrantes e hoje tem dois: Xi, como presidente, e Zhang Shengmin, como vice. O Politburo, de 24 membros, chegou a ter 21; com a promoção de Zhang Shengmin durante o plenário, passou a 22. Pesquisadores do Asia Society Policy Institute ouvidos pela reportagem classificaram o expurgo no alto comando militar como sem precedentes e dizem que ele levanta dúvidas sobre a liderança organizacional e a prontidão de combate das Forças Armadas.

Como analistas leem o movimento

Para Chong Ja Ian, pesquisador do Carnegie China, a campanha anticorrupção virou um esforço para consolidar a autoridade de Xi e deve continuar ou se ampliar conforme o grau de segurança do líder no poder, e não por problemas reais de corrupção. Observadores citados pela BBC associam a ênfase na disciplina, muitas vezes lida como questão de lealdade, ao Congresso do Partido do próximo ano, quando será escolhido o próximo líder; uma reorganização da cúpula é esperada para 2027, e muitos analistas acreditam que Xi permanecerá no cargo por um quarto mandato ou mais.

O que ainda falta saber

Este portal leu a reportagem da BBC News Brasil, mas não o comunicado oficial do partido nem a lista completa dos 33 nomes; as acusações específicas não foram divulgadas. As avaliações sobre os motivos do expurgo são opiniões de analistas, não fatos confirmados por Pequim.

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