O humorista Bruno Motta, de 46 anos, afirma ter recebido milhares de mensagens, algumas com ameaças de violência, depois de o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) compartilhar e ironizar uma publicação dele sobre o cancelamento de um evento corporativo por razões políticas. O relato foi dado ao Metrópoles nesta sexta-feira (30) e reproduzido pelo Poder360. Este portal não apurou as mensagens e não encontrou, nas reportagens lidas, manifestação de Nikolas sobre as ameaças.
O que o humorista diz
- Motta diz que o cancelamento foi a primeira situação profissional, em 25 anos de carreira, a fazê-lo sentir medo, e que não trata de política nos trabalhos corporativos.
- Segundo ele, usuários vasculharam publicações antigas para expô-lo, e houve ameaças de agressão caso fosse reconhecido na rua ou nos shows.
- Ele ainda não registrou boletim de ocorrência, mas pretende reunir as mensagens para avaliar medidas judiciais; segundo ele, alguns autores apagaram as postagens depois de alertados sobre possíveis processos.
O que Nikolas escreveu
Ao compartilhar o trecho do relato, o deputado escreveu “Tá assustadinho, gente”, segundo o Poder360. O jornal registra que, em resposta ao humorista, Nikolas disse que os eleitores de direita não querem mais sustentar o grupo que ele chamou de fascista, e que vem defendendo os boicotes: na quinta (29) escreveu que as pessoas são livres para não frequentar determinados comércios, e na sexta voltou a defender as iniciativas.
Contexto
Campanhas de boicote a empresas e profissionais associados a eleitores do presidente Lula ganharam força nas redes depois da reeleição, com listas de estabelecimentos. O governo anunciou uma força-tarefa contra o assédio eleitoral e a discriminação política; o Ministério Público Federal abriu procedimento para acompanhar a circulação das listas, e o MPT acionou a Justiça contra um empresário de São Paulo que incentivou empregadores a não contratar profissionais de esquerda, segundo o Poder360. No Congresso, o PT propôs pena de até 6 anos para discriminação política no trabalho, e o PSOL acionou a PF contra as listas.






















