A Comissão Nacional de Erradicação do Trabalho Escravo (Conatrae) pediu ao governo federal a convocação urgente dos aprovados no cadastro de reserva do Concurso Público Nacional Unificado (CNU) de 2024 para o cargo de auditor-fiscal do trabalho. A carta é de 22 de outubro de 2026 e foi noticiada pelo Poder360 nesta sexta-feira (30). A comissão diz que o déficit na carreira passa de mil auditores, mesmo depois das nomeações já autorizadas.
O que diz a carta
- A Conatrae “lamenta” a rejeição do pedido de chamamento dos aprovados e avalia que a negativa do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) desconsiderou justificativas apresentadas pelo próprio Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).
- O texto retoma uma nota pública de 30 de junho de 2020, que já apontava 1.553 cargos vagos na carreira, e cita carta aberta da Comissão Nacional de Aprovados no Cadastro de Reserva sobre o déficit.
- Com base em dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT), a carta afirma que, mesmo após as nomeações do CNU, o Brasil terá um auditor para cada 39 mil trabalhadores, contra um para cada 10 mil na Espanha, um para cada 14 mil na Argentina e um para cada 19 mil na Colômbia.
- A comissão associa o quadro reduzido à capacidade de combater trabalho escravo, trabalho infantil e outras violações, e cita a Convenção 81 da OIT, que prevê número suficiente de inspetores.
O que ainda não há
O Poder360 diz ter procurado o MGI por e-mail e não recebeu resposta até a publicação; este portal não encontrou nota do ministério sobre a carta. Um aviso sobre as fontes: este portal leu a carta da Conatrae (cópia publicada no site da Comissão Pastoral da Terra) e a reportagem; o Poder360 grafa a proporção da Argentina como 1 para 10 mil, mas a carta diz 1 para 14 mil, valor usado aqui.
Por que entra na pauta
O Poder360 liga o tema à alta de denúncias de assédio eleitoral no trabalho, citando o Ministério Público do Trabalho (MPT), que teria registrado milhares de casos até quarta-feira (27), 1.353 deles depois do segundo turno. A carta, porém, não menciona eleições; a ligação é da reportagem. Sobre a resposta do governo ao assédio, veja a força-tarefa anunciada pelo governo.






















