Congresso

PL rejeita apoiar Alcolumbre e vai lançar Marinho no Senado, diz reportagem

Segundo O Globo, a oposição conta 32 votos potenciais contra a reeleição de Alcolumbre, que reúne cerca de 39 com PT e aliados e aposta no voto secreto.

Montagem com retratos do senador Rogério Marinho (PL-RN), à esquerda, e do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), à direita
Montagem com duas fotografias de arquivo: Rogério Marinho (Agência Senado, 2023, CC BY 2.0) e Davi Alcolumbre (Governo do RS, 4/12/2025, CC BY-SA 4.0). As imagens não registram a disputa pela Presidência do Senado. Origem da foto de Marinho. Origem da foto de Alcolumbre. CC BY 2.0. CC BY-SA 4.0.

A bancada do PL e senadores de oposição de outros partidos rejeitam um acordo para apoiar a reeleição de Davi Alcolumbre (União-AP) à Presidência do Senado, e o PL planeja lançar, na quarta-feira (4/11), a candidatura de Rogério Marinho (PL-RN), segundo reportagem do O Globo publicada nesta sexta-feira (30). A eleição para o comando da Casa será em fevereiro de 2027.

O que a reportagem registra

O PL terá 29 senadores a partir de fevereiro, mais de um terço das 81 cadeiras, segundo O Globo. Os parlamentares do partido vão se reunir na próxima semana para decidir a candidatura de Marinho, que já recebeu o aval de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e do senador eleito Carlos Bolsonaro (PL-SC). A senadora Tereza Cristina (PP-MS) também tenta se viabilizar como candidata, mas, segundo a reportagem, a oposição diz que chegará à reta final com um só nome.

O líder do PL no Senado, Carlos Portinho (RJ), defendeu que o partido use o tamanho da bancada para ampliar sua influência e tentar mudar a relação entre Congresso e Judiciário: “Hora de unidade. Se amarrar direitinho, seremos fortes.”

O acordo que não andou

Para esfriar a articulação da oposição, Alcolumbre tentou construir um aceno ao ex-presidente Jair Bolsonaro, segundo a reportagem. A ideia era uma negociação entre Congresso, governo e Judiciário por uma medida que atenuasse a situação de Bolsonaro, condenado por liderar uma trama golpista. Não houve proposta fechada: foram discutidos um indulto presidencial, uma anistia ampla e a retomada da redução de penas, hoje suspensa pelo Supremo Tribunal Federal e sem data de análise. Alcolumbre conversou com senadores, mas não levou a ideia a Lula.

A reportagem diz que a iniciativa esbarrou na desconfiança da oposição. Hamilton Mourão (Republicanos-RS) e Damares Alves (Republicanos-DF) questionaram a capacidade de Alcolumbre de entregar uma solução, e a memória de 2025, quando o PL o apoiou esperando avanços na anistia e não os viu, pesa na decisão.

A conta dos votos

  • Marinho: 29 do PL mais 3 eleitos pelo Novo, que também rejeitam apoiar Alcolumbre, somam 32 votos potenciais.
  • Alcolumbre: tem o apoio da direção nacional da federação União-PP, mas a bancada de 11 senadores está dividida; Tereza Cristina e o senador eleito Guilherme Derrite (PP-SP) resistem. Ele também aposta numa aliança com PT, PSB, PDT e Rede, que somariam 39 parlamentares.
  • Indefinidos: Republicanos, Podemos e PSDB, com 16 senadores, não sinalizaram apoio.
  • Voto secreto: aliados de Alcolumbre apostam que o sigilo permitirá apoios que a oposição não declara em público.

A reportagem acrescenta que o impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do STF, é uma das principais bandeiras da oposição no Senado, e que integrantes da oposição avaliam que Alcolumbre, aliado do ministro, não trabalhará pelo afastamento.

Limites

Os números de votos são estimativas de O Globo; este portal não os conferiu contra a composição oficial, que pode mudar até fevereiro, quando eleitos e senadores em exercício podem trocar de partido ou assumir cargos. Uma matéria anterior do Os Poderes citou 28 senadores do PL, conforme o g1; O Globo contabiliza 29, e a diferença não foi esclarecida nas fontes lidas. A candidatura de Marinho ainda não foi formalizada, e a reportagem lida não traz resposta de Alcolumbre nem de Marinho. Veja também a disputa do PL por Senado e Câmara.

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