O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não pretende apoiar a alegação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de ser o líder legítimo do Brasil, apesar de ter ajudado o candidato derrotado a chegar aos EUA. A informação é da agência Reuters, em texto publicado pela CNN Brasil nesta sexta-feira (30), e se apoia em uma autoridade americana e em outra pessoa a par do assunto, ambas sob anonimato, que falaram na quinta-feira (29).
O que dizem as fontes
Segundo a Reuters, as duas fontes afirmam que Trump não tem planos atuais de apoiar as ambições políticas de Flávio, embora tenha permitido a entrada dele no país, e ressalvam que o presidente pode mudar de ideia. Uma terceira autoridade americana, também anônima, disse que o capital político do senador diminuiu agora que ele está no autoexílio. A agência registra que muitos conservadores brasileiros que esperavam vê-lo à frente da oposição criticaram a fuga.
Para a Reuters, a postura sugere que Trump pode estar relutante em provocar uma nova crise nas relações com o Brasil. A agência lembra que o presidente americano disse que a eleição brasileira pareceu “manipulada”, mas afirmou não ter oferecido apoio a ninguém e declarou se dar bem com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, reeleito por cerca de 3,5 pontos percentuais.
Como Flávio entrou nos EUA
De acordo com a agência, autoridades argentinas informaram que Flávio, a mulher e as duas filhas atravessaram uma ponte rumo ao norte da Argentina às 22h50 de terça-feira (27) e embarcaram em um avião fretado às 23h30, com destino a Miami, via Equador. A Reuters diz que não está claro como o senador foi de Brasília até a ponte, a 1.300 km, nem como deixou o Brasil sem o conhecimento da alfândega.
Ainda conforme a autoridade americana, o secretário de Estado, Marco Rubio, recomendou a Trump que a entrada fosse permitida, e o presidente aprovou. Durante o voo, funcionários do Departamento de Estado discutiram com o Departamento de Segurança Interna a via legal de entrada; a família recebeu parole humanitária, status temporário para casos de interesse público significativo. A pessoa a par do assunto confirmou que Jason Miller, assessor de Trump próximo dos Bolsonaro, ajudou a organizar o voo, informação que o jornal The New York Times já havia divulgado. O dono do avião disse, por sua vez, que o voo foi pago por um intermediário.
O contexto no Brasil
A saída de Flávio ocorreu depois de o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, mandar que ele entregasse o passaporte, a pedido da Polícia Federal, que o investiga por suposto esquema de lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Algumas autoridades brasileiras disseram à Reuters, sob anonimato, que a partida ajuda Lula por enfraquecer a oposição conservadora no Congresso. O governo Lula, por sua vez, decidiu não reagir à fuga.
O que ainda não se sabe
A Casa Branca encaminhou o pedido de comentário ao Departamento de Estado, que não respondeu à agência; o governo brasileiro e um representante de Flávio também não responderam. Este portal não leu declaração oficial americana sobre o tema, e as afirmações das fontes anônimas não foram confirmadas por documento ou pronunciamento público. A cobertura continua.






















