O governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiu, por ora, não reagir oficialmente à ida de Flávio Bolsonaro (PL) aos Estados Unidos e à ajuda que integrantes dos governos de Donald Trump e de Javier Milei teriam dado ao senador, segundo reportagens do Poder360, de O Globo e do g1 publicadas na quinta-feira (29). A orientação no Planalto é evitar uma resposta direta de Lula e manter uma relação pragmática com Washington e Buenos Aires. Uma eventual reação, segundo o g1, dependerá de novos fatos.
O que o Planalto decidiu
- Não há telefonema previsto entre Lula e Trump, e o presidente brasileiro não pediu conversa, informa o Poder360. A ordem é não dar “palco” ao caso.
- A avaliação, segundo as três reportagens, é que a ida de Flávio constrange a oposição, não o governo, e que o senador perdeu capital político ao deixar o país.
- O g1 relata que o governo está convencido de que os EUA e a Argentina participaram da operação que levou Flávio ao exterior; ainda assim, não pretende reagir diplomaticamente.
- Uma reação, se houver, não deve partir de Lula: o Poder360 diz que o Itamaraty poderia convocar o encarregado de negócios argentino em Brasília.
Agenda externa e embaixador
O chanceler Mauro Vieira tinha viagem marcada para a noite de quinta (29) a Atlanta, onde participaria da reunião de chanceleres do G20 presidida pelo secretário de Estado americano, Marco Rubio. Não há encontro bilateral previsto, mas ele poderá cobrar explicações do chanceler argentino, segundo o Poder360. O g1 diz que Vieira poderá se encontrar com Rubio.
O Globo informa que o governo deve esperar a temperatura política baixar antes de conceder o agrément ao novo embaixador americano, Daniel Perez. Auxiliares avaliam que o episódio não inviabiliza a aprovação, mas recomenda cautela; a concessão ainda neste ano não está descartada. A situação poderia mudar, segundo a reportagem, se Trump passasse a questionar formalmente a legitimidade do governo brasileiro.
Eleição americana como ponto de virada
Os três veículos apontam as eleições legislativas dos Estados Unidos, na terça-feira (3/11), como referência para o governo recalibrar a posição. O Poder360 descreve dois cenários: democratas conquistando só a Câmara, com mais fiscalização sobre Trump, ou as duas Casas, com espaço para oposição mais dura. Trump disse que não tomou partido na eleição brasileira a pedido de Lula e chamou o pleito de vergonhoso, mas não reconheceu Flávio como líder, de acordo com o Poder360.
Contexto
Lula foi reeleito em 25 de outubro. Flávio deixou o Brasil dois dias depois, pela fronteira com a Argentina, e chegou aos EUA na quarta (28). O ministro Alexandre de Moraes havia determinado a entrega dos passaportes do senador, e a Polícia Federal os cancelou em 27 de outubro; não há mandado de prisão, conforme o Poder360. A história completa está na matéria principal deste portal sobre o caso.
O que ainda não se sabe
A posição do governo vem de fontes não identificadas nas três reportagens; não houve manifestação pública do Planalto nem do Itamaraty nos textos consultados. As relações com a Argentina já estavam rebaixadas, com os embaixadores fora de seus postos desde agosto, segundo o Poder360.






















