A poucas horas da votação das eleições de meio de mandato, nesta terça-feira (3), autoridades eleitorais de vários estados americanos se preparam para a possibilidade de o presidente Donald Trump tentar interferir na contagem ou contestar o resultado, segundo reportagem do Estadão, com enviado especial a Atlanta e Columbus. A Geórgia, onde Trump perdeu por cerca de 11 mil votos em 2020, é o estado que mais o incomoda, na avaliação de um cientista político ouvido pelo jornal. Isso é o que a reportagem relata; Os Poderes não verificou de forma independente os preparativos de cada estado.
Geórgia: “a eleição mais segura dos Estados Unidos”
O secretário de Estado da Geórgia, o republicano Brad Raffensperger, foi o funcionário a quem Trump telefonou em 2020 para pedir votos. Ele recusou e passou a ser alvo de ataques de aliados mais radicais do presidente. Em entrevista ao Estadão, disse que o estado adotou exigência de documento com foto, verificação de cidadania e cédulas em papel, e que sua eleição é “a mais segura dos Estados Unidos”. Segundo ele, o estado realizou três verificações de cidadania e auditorias no cadastro federal, e vai concluir a votação com 20 auditorias de limitação de risco e uma análise estatística para checar os resultados.
Raffensperger disputou em 2026 a primária republicana ao governo da Geórgia e ficou em terceiro lugar, atrás de dois apoiadores de Trump, o vice-governador Burt Jones e o empresário Rick Jackson, segundo a reportagem. Ainda conforme o jornal, aliados do presidente no Conselho Eleitoral do estado defendem maior participação federal: na semana passada, o diretor-executivo do órgão, James Mills, pediu que o governo Trump examinasse as urnas eletrônicas e alterasse a forma de contabilizar os votos.
Ohio, Alasca e Kansas também se preparam
Segundo o Estadão, Ohio, Alasca e Kansas, estados de tendência conservadora que ficaram mais disputados neste ciclo, também se preparam para cenários adversos. Mesários estão sendo orientados sobre o que fazer caso agentes do serviço de imigração (ICE) apareçam nas zonas de votação, e secretários de Estado se reúnem com advogados. O temor é que o presidente não reconheça os resultados e abale a confiança do eleitor.
A reportagem lembra que, no Alasca, o Departamento de Justiça abriu um processo para tentar impedir a certificação da disputa pelo Senado caso o republicano em exercício, Dan Sullivan, perca para a democrata Mari Peltola, sob a alegação de que um candidato homônimo, Daniel Sullivan, confunde eleitores; autoridades locais rejeitaram a alegação. Os Poderes já tratou do caso em matéria sobre as dúvidas de Trump a respeito da votação em três estados.
O que as autoridades temem
De acordo com o Estadão, o governo Trump pediu aos estados as listas de eleitores e tentou mudar regras do voto por correio, mas foi barrado pela Suprema Corte. Em Ohio, o secretário de Estado republicano, Frank LaRose, aceitou entregar dados de cidadãos ao governo federal, medida criticada pela democrata Allison Russo, candidata ao mesmo cargo. Entre os cenários que preocupam agentes eleitorais, segundo a reportagem:
- a repetição de medida como a de janeiro deste ano, quando autoridades federais apreenderam cédulas no condado de Fulton, na Geórgia, por causa de uma acusação criminal ligada à eleição presidencial de 2020;
- a alegação de interferência estrangeira como justificativa para apreender urnas eletrônicas, possibilidade que Trump ventilou em discurso em julho;
- o uso de um programa do Departamento de Justiça que envia observadores federais aos locais de votação;
- a invocação da Lei de Insurreição para mobilizar as Forças Armadas, possibilidade que Trump deixou em aberto.
Pesquisa e avaliação de especialistas
O Estadão cita pesquisa do Washington Post com o instituto Ipsos e a ABC News segundo a qual sete em cada dez americanos acreditam que Trump não vai reconhecer o resultado das eleições. O professor de direito constitucional da UCLA Richard Hasen disse ao jornal que o presidente deve contestar resultados apertados e poderia tentar usar o Departamento de Justiça para interferir na contagem e na certificação nos estados. Para ele, “nada que a Suprema Corte faça impedirá Trump de alegar fraude”; essa é uma avaliação do professor, não um fato.
O que já se sabe
Trump disse que aceitará o resultado se a eleição for “honesta”, e a Suprema Corte rejeitou nesta segunda (2) o pedido do governo para barrar 20 mil votos na Califórnia. A apuração é feita por cada estado e pode levar dias; veja como funciona a contagem e o panorama completo das midterms.
Texto publicado em 2 de novembro, às 21h, com base em reportagem do Estadão lida na íntegra nesse horário. As falas e avaliações são atribuídas aos entrevistados, e a descrição dos cenários é a apresentada pela reportagem.






















