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Quem são os brasileiros do Paraguai atingidos pela quebra do Ueno Bank

Cerca de 270 mil brasileiros vivem no país; estudantes de medicina, comerciantes da fronteira e produtores abriram contas no banco liquidado, mas não há número oficial de afetados.

Prédio amarelo de cinco andares em esquina de avenida no centro de Hernandarias, no Paraguai, com motos estacionadas e céu azul

Centro de Hernandarias, no Paraguai, cidade perto da fronteira com o Brasil, em 3/12/2009. Foto de arquivo: Alvnarvaja — CC BY-SA 3.0. A imagem não registra correntistas do Ueno Bank. Origem da fotografia. Condição de uso.

Cerca de 270 mil brasileiros viviam no Paraguai em 2025, segundo estimativa do Ministério das Relações Exteriores, a maior comunidade brasileira da América do Sul e a terceira do mundo, atrás de Estados Unidos e Portugal. Com a liquidação do Ueno Bank, decretada pelo Banco Central do Paraguai na terça-feira (3), uma parte desse grupo ficou sem acesso ao dinheiro. Não há dado oficial sobre quantos correntistas brasileiros foram atingidos.

Por que tantos brasileiros tinham conta no Ueno

O banco tinha cerca de 3 milhões de clientes, o equivalente a 60% dos adultos do país, segundo dados da própria instituição. Para o economista Alexandre Barros da Costa, pesquisador da Unila e da UFPR que acompanha a economia paraguaia, a abertura rápida e sem muita burocracia de contas tornou o Ueno a primeira opção de estudantes de medicina, pequenos comerciantes da fronteira, produtores rurais e investidores brasileiros. Ele estima que a crise possa afetar dezenas de milhares de brasileiros; é uma estimativa, não uma contagem.

Outra conta, feita por reportagem, aplica ao total de brasileiros a proporção de paraguaios com conta no banco (de 40% a 60%) e chega a 108 mil a 162 mil pessoas. O próprio cálculo parte da hipótese de que os brasileiros usavam o banco na mesma proporção dos paraguaios, o que não está comprovado; serve como ordem de grandeza.

Os números da presença brasileira

  • Medicina: dos 45.872 estudantes de medicina no Paraguai, 35.273 (76,9%) são brasileiros, segundo reportagem do jornal paraguaio ABC Color de outubro de 2025; 15.389 deles estão no departamento de Alto Paraná, na fronteira. A mensalidade média gira em torno de 3 milhões de guaranis (cerca de R$ 2.645), contra R$ 9.500 a R$ 11.500 no Brasil, e a maioria volta depois para fazer o Revalida e exercer a profissão no Brasil.
  • Empresas: 232 empresas brasileiras operam no país desde 2007 pela Lei de Maquila, que dá incentivos fiscais a indústrias exportadoras. Elas são 70% das estrangeiras nesse regime e geram 25 mil empregos locais; 89 são do setor têxtil.
  • Residência: de janeiro a outubro de 2026, 67% das autorizações de residência concedidas a estrangeiros foram para brasileiros, segundo o governo paraguaio.

Relatos de quem ficou sem acesso

Renata de Brito, de 44 anos, mudou-se para Hernandarias, perto da fronteira, depois de ser afetada pelas enchentes no Rio Grande do Sul. Tinha no Ueno as economias e os pagamentos da lanchonete, que recebia pela maquininha do banco. Já pagou as contas que venciam neste mês, mas teme não ter o dinheiro de volta até o fim de novembro, quando vence a parcela de um apartamento. A médica Katrye Lucena, de 27 anos, teve o salário do mês retido e disse não ter acesso a recursos nem para aluguel e alimentação. São relatos individuais, não permitem medir a extensão do problema.

O que se sabe sobre a devolução do dinheiro

O Fundo de Garantia de Depósitos do Paraguai cobre até 228 milhões de guaranis por pessoa (cerca de R$ 211 mil na conversão da fonte). O Banco Central paraguaio havia garantido o ressarcimento e dito que ainda precisava avaliar se conseguiria cobrir valores acima desse limite. Na sexta-feira (6), o novo presidente, Pedro Alliana, mandou o governo agir de imediato para ressarcir os poupadores, com prioridade aos menos favorecidos, e o ex-presidente Santiago Peña promulgou antes da destituição uma lei que deve permitir aos poupadores recuperar o dinheiro em menos tempo. Nas fontes lidas pelo OsPoderes não consta orientação específica do governo brasileiro a correntistas do Ueno.

Leia também: Alliana assume no Paraguai; Peña teria sido levado a unidade militar; Brasileiros ficam sem dinheiro no Ueno; Itaipu diz não ter recursos brasileiros no Ueno.

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