O PL deve anunciar o senador Rogério Marinho (RN) como candidato à Presidência do Senado na próxima quarta-feira (4), mesmo com as conversas que o atual presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), mantém com senadores de vários partidos. A informação é da reportagem do g1 e da TV Globo, publicada neste 2 de novembro. A eleição para comandar o Senado nos próximos dois anos ocorre em fevereiro de 2027.
O que diz a reportagem
Segundo o g1, o PL terá a maior bancada do Senado a partir da posse dos senadores eleitos em outubro: 28 parlamentares. Para ser eleito, o candidato precisa da maioria absoluta, 41 dos 80 votos.
Alcolumbre tenta a reeleição e, de acordo com a reportagem, busca votos até entre senadores de partidos de oposição, como PL, PP e Republicanos. Na última semana, ele teria discutido com parlamentares a possibilidade de pautar um projeto de anistia aos condenados pelo 8 de janeiro, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro. A leitura citada é de que isso poderia atrair apoio da oposição e, ao mesmo tempo, conter a pressão por impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal.
O g1 relata que, mesmo com a aproximação, a maioria do PL não aceitou acordo com Alcolumbre e pretende pôr Marinho em campanha a partir da próxima semana. O senador eleito Carlos Jordy (PL-RJ) disse ao g1: “A candidatura com mais força e votos hoje é a de Rogério Marinho”.
Divergências dentro do campo da oposição
- Tereza Cristina. A senadora Tereza Cristina (PP-MS) mantém o desejo de concorrer, mesmo com o PL lançando Marinho. Ela disse ao g1 que quer ser a primeira mulher a presidir o Senado e que faltam 90 dias até a eleição.
- Dúvida no próprio PL. Um senador do partido, que não é identificado, disse nos bastidores que talvez não valha o desgaste de uma candidatura própria: em caso de derrota, a legenda poderia ficar sem o comando de comissões importantes, como em 2023, quando Marinho perdeu para Rodrigo Pacheco.
- Efeito da carta de Flávio. Entre parlamentares de oposição, há a avaliação de que a carta em que Flávio Bolsonaro (PL-RJ) se declarou presidente eleito e depois mudou para líder do Brasil enfraqueceu a candidatura de Marinho, que coordenou a campanha dele. Senadores ouvidos pelo g1 acreditam que Marinho comandaria a Casa sem autoridade, dependendo de telefonemas aos Estados Unidos para definir o rumo.
O lado de Alcolumbre
Um interlocutor de Alcolumbre, sem identificação, avaliou ao g1 que ele já reúne ao menos 41 votos e que, depois da saída de Flávio do país, Marinho virou o adversário ideal. Esse aliado disse que o presidente do Senado tem votos dentro do próprio PL, mas ainda não conversou com a ala mais radical do bolsonarismo, que inclui os senadores eleitos Guilherme Derrite (PP-SP) e Carol de Toni (PL-SC), e espera falar nas próximas semanas com Michelle Bolsonaro (PL), eleita senadora pelo Distrito Federal, que hoje apoia Tereza Cristina. Trata-se de avaliação de um aliado, não de contagem de votos.
Sobre a anistia, a reportagem registra que governistas como o senador Otto Alencar (PSD-BA) defendem o projeto, enquanto siglas como o MDB já se posicionam contra.
O que falta saber
- Se o PL confirmará Marinho na quarta (4), como prevê a reportagem.
- Se Tereza Cristina manterá a candidatura e se o PP a apoiará.
- Se Alcolumbre chegará a pautar o projeto de anistia e qual será a reação das bancadas.
O Os Poderes já havia noticiado, com base em outra reportagem, a avaliação de Alcolumbre sobre anistia para se reeleger.






















