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MP do Paraguai ordena detenção de Peña e do ex-presidente do BC

Ordem sai logo após o Senado destituir o presidente por 44 votos; relatos divergem sobre se já foi cumprida. Pedro Alliana tomou posse na noite desta sexta (6).

Santiago Peña, de terno escuro e faixa vermelha, atrás de dois microfones durante cerimônia.

Santiago Peña em cerimônia em Taiwan, em 8/5/2026 (recorte). Foto de arquivo: Wang Yu Ching/Gabinete da Presidência de Taiwan — CC BY 4.0. A imagem não registra a ordem de prisão desta sexta. Origem da fotografia. Condição de uso.

O Ministério Público do Paraguai ordenou, nesta sexta-feira (6), a detenção do ex-presidente Santiago Peña e do ex-presidente do Banco Central Carlos Dagoberto Carvallo Spalding, pouco depois de o Senado destituir Peña por 44 votos a favor e uma ausência. A ordem foi assinada por promotores das unidades especializadas em Crimes Econômicos e Anticorrupção e em Crimes Informáticos, no âmbito das investigações sobre o colapso do Ueno Bank. Os relatos divergem sobre o estágio da medida: há reportagens que falam em ordem de prisão preventiva e em polícia na casa de Peña, e outras que a tratam como pedido; o OsPoderes não encontrou confirmação oficial de que a detenção tenha sido cumprida.

O que diz a ordem

  • Peña: deve permanecer detido em sua residência até ser colocado à disposição do Ministério Público, na Unidade Especializada de Crimes Econômicos e Anticorrupção.
  • Carvallo: deve ficar detido na unidade que a Polícia Nacional definir. Ele deixou o comando do Banco Central na quinta (5), depois do início da liquidação do banco.
  • Prazo: os promotores afirmam que os detidos devem ser apresentados à autoridade competente dentro do prazo legal, com respeito a seus direitos e garantias.

Por que isso é possível agora

Ao ser destituído, Peña perdeu o foro privilegiado e o direito à senadoria vitalícia e passa a responder na Justiça comum, onde já enfrentava representações por enriquecimento ilícito e tráfico de influência e uma investigação aberta pela Procuradoria. Peña foi acionista do grupo controlador do Ueno até março de 2025 e, antes do julgamento, afirmou que os responsáveis responderiam à Justiça “sem exceções”. Detenção ordenada pelo Ministério Público não é condenação; as acusações ainda dependem de análise judicial, e a defesa de Peña, representada pelos advogados Adolfo Ferreiro e Ricardo Preda, disse que recorrerá à Corte Interamericana de Direitos Humanos.

O contexto

O Ueno, que tinha cerca de 3 milhões de clientes e administrava cerca de US$ 850 milhões em recursos públicos, entrou em liquidação na terça (3). Oito dirigentes do banco, entre eles o presidente-executivo Miguel Vázquez, já estavam presos. O vice Pedro Alliana, do Partido Colorado, tomou posse como presidente à noite, em cerimônia no Congresso, e prometeu que todos os depositantes com contas congeladas receberão o dinheiro de volta. Veja a cobertura completa da destituição e a matéria sobre o paradeiro de Peña antes do julgamento.

Foto de arquivo de Santiago Peña, em maio de 2026; a imagem não registra a ordem de prisão.

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