Congresso

Flávio segura há 500 dias projeto que pune domínio de territórios por milícias

O senador escolheu a si mesmo relator da proposta do petista Rogério Carvalho, que prevê pena de até 15 anos, mas o texto está sem parecer desde julho de 2025. Flávio não respondeu aos pedidos de comentário.

O senador Flávio Bolsonaro, de terno azul, ao fundo, e outro senador de terno preto em primeiro plano, na sala da Comissão de Segurança Pública

O senador Flávio Bolsonaro (ao fundo) em reunião da Comissão de Segurança Pública do Senado, em Brasília, em 1º/09/2026 (recorte). Foto de arquivo: Agência Senado — CC BY-SA 4.0. A imagem não registra a tramitação do projeto. Origem da fotografia. Condição de uso.

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que fez do combate ao crime organizado uma plataforma da campanha presidencial, mantém parado há cerca de 500 dias um projeto de lei que endurece a pena para o controle de territórios por milícias e facções. Presidente da Comissão de Segurança Pública (CSP) do Senado, ele designou a si mesmo, em julho de 2025, para relatar a proposta do senador Rogério Carvalho (PT-SE), que não andou desde então. Procurado, Flávio não respondeu.

O que prevê o projeto

  • Cria um crime específico para o domínio territorial por grupos criminosos, com penas de até 15 anos.
  • Mira o uso de “violência ou ameaças para controlar o espaço, impedir a liberdade das pessoas, cobrar taxas ou impedir a circulação de pessoas e bens”.
  • Aumenta a punição se houver participação de adolescentes, envolvimento de servidores públicos ou conexão internacional.

Ao apresentar o texto, em março de 2025 (quatro meses antes de Flávio assumir a relatoria), Rogério Carvalho escreveu que o objetivo é “enquadrar tanto milícias quanto facções criminosas que utilizam o domínio territorial para impor sua autoridade avessa ao Estado”.

Como a relatoria chegou a Flávio

Como presidente da CSP, cabe a Flávio designar os relatores. Ele escolheu a si mesmo com base em um artigo do regimento do Senado que permite o expediente “excepcionalmente”. Não há registro, nas informações apuradas, de parecer apresentado por ele nesse período.

O que ele prometeu

No plano de governo entregue ao Tribunal Superior Eleitoral, o então candidato do PL prometeu “retomar as áreas sob domínio de facções, devolvendo aos moradores a liberdade de ir e vir na própria comunidade”. O compromisso foi repetido na campanha; no debate do segundo turno, ele disse que recuperaria “cada metro, cada rua, cada bairro, cada cidade, cada território que foi tomado do povo brasileiro”.

O que muda e o que falta: o projeto só avança se Flávio entregar o relatório ou se a relatoria for redistribuída; não há anúncio de nenhuma das duas coisas. O senador se encontra nos Estados Unidos desde o fim de outubro (veja a entrevista mais recente), e o Senado já aprovou outra frente do tema, a PEC da Segurança Pública (entenda). A reportagem que apurou o caso não identificou posição pública de Flávio sobre o atraso.

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