Com a contagem das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos ainda em andamento, o cenário político americano já se volta para a disputa pela Presidência em 2028. Segundo análise publicada neste sábado (7), os ganhos democratas no Congresso deram impulso ao partido e puseram o vice-presidente JD Vance na defensiva. Não há candidatos oficiais à sucessão de Donald Trump, e os nomes em potencial se movimentam nos bastidores. A própria análise lembra que um bom desempenho nas midterms não garante a Casa Branca dois anos depois: Barack Obama foi reeleito em 2012, apesar de grandes vitórias republicanas em 2010.
Quem saiu fortalecido
- Jon Ossoff, senador democrata da Geórgia, venceu com margem considerável em um estado onde Trump ganhou em 2024. Ele já afirmou que não pretende concorrer à Presidência, mas a campanha, com vários momentos virais, o projetou nacionalmente.
- Josh Shapiro, governador da Pensilvânia, derrotou o adversário republicano com folga. Não se comprometeu com 2028, mas analistas apontam sua popularidade em um estado-chave como sinal de competitividade nacional.
- JB Pritzker, governador de Illinois, também venceu, após uma campanha que analistas locais descreveram como “aquecimento” para uma candidatura presidencial.
- Gavin Newsom, governador da Califórnia, não pôde concorrer, mas acompanha uma iniciativa popular para taxar bilionários, contra a qual fez campanha por temer perda de arrecadação.
- No lado republicano, o senador Tom Cotton e a governadora Sarah Huckabee Sanders, do Arkansas, se mantiveram nos cargos com margem menor do que antes, pouco acima da metade dos votos.
Vance e aliados de Trump sob pressão
Pesquisas de boca de urna sugerem que a maré negativa para os republicanos veio em parte da raiva dos eleitores com as ações do governo Trump, o que pode ser um peso para potenciais sucessores que fazem parte do gabinete, como Vance e o secretário de Estado, Marco Rubio. A professora Karen Beckwith, da Case Western Reserve University, avaliou que a pessoa mais prejudicada pela campanha foi Vance. Ele escreveu no X que “o motivo da nossa derrota foi a guerra”, em referência a uma ação de política externa no Irã que, segundo a análise, foi politicamente desastrosa para o partido. Rubio negou rumores de que deixaria o cargo para disputar a Presidência.
Republicanos fora do governo podem se beneficiar. O senador Ted Cruz, que não disputou a reeleição, escreveu que muitos políticos do partido parecem “não se importar” com os problemas econômicos dos eleitores. O governador da Flórida, Ron DeSantis, criticou o resultado e destacou as vitórias do partido no estado.
Esquerda e centro democratas disputam a leitura
As duas alas do Partido Democrata reivindicaram a vitória. Para a esquerda, o triunfo de Abdul El-Sayed em Michigan, estado decisivo, mostra que candidatos populistas de fora do sistema podem vencer; apoiadores dizem que o cenário favorece nomes como a deputada Alexandria Ocasio-Cortez nas primárias. Os moderados citam o “Blue Dog Caucus”, grupo de democratas moderados e conservadores, que conquistou ao menos 14 cadeiras no Congresso, quase dobrando seu tamanho. O foco no custo de vida, que deu certo para candidatos dos dois grupos, deve voltar em 2028, segundo a análise. Jim Messina, ex-conselheiro de Obama, disse que dezenas de pessoas já se mobilizam para a disputa.
Estados antes seguros podem entrar em disputa
A análise avalia que regiões antes vistas como redutos republicanos não podem mais ser tratadas como garantidas: o Texas, com 40 votos no colégio eleitoral, poderia estar em disputa em 2028. A analista Christina Pascucci disse que as eleições “desafiaram pressupostos políticos antigos”. Estas são leituras de analistas sobre um resultado ainda em apuração, não projeções oficiais.
Reflexo no Brasil
O resultado também mexe com o governo brasileiro, que aposta em um recuo de Trump no tarifaço; veja a matéria sobre a aposta do Planalto.
Montagem do OsPoderes com fotos de arquivo de JD Vance e Josh Shapiro; as imagens não registram as eleições de 3 de novembro.





















