EUA

Casa Branca nega demitir Rubio e Hegseth após derrota republicana

Trump e Vance atribuíram parte da derrota nas eleições de meio de mandato à guerra no Irã; pedido de impeachment contra o chefe do Pentágono pode ir a plenário na semana que vem, segundo reportagem.

O presidente Donald Trump conversa, sorrindo, com o secretário de Estado Marco Rubio e o secretário de Guerra Pete Hegseth no Salão Oval, em fotografia em preto e branco

O presidente Donald Trump, o secretário de Estado Marco Rubio e o secretário de Guerra Pete Hegseth no Salão Oval, em Washington, em 22/10/2025. Foto de arquivo: Casa Branca — domínio público. A imagem não registra os fatos desta semana. Origem da fotografia.

A Casa Branca rejeitou na quinta-feira (6) a informação de que pretende afastar o chefe do Pentágono, Pete Hegseth, e o secretário de Estado e conselheiro de Segurança Nacional, Marco Rubio, pressionados depois da derrota do Partido Republicano nas eleições legislativas de terça (3). Segundo reportagem, o próprio presidente Donald Trump e o vice, JD Vance, disseram publicamente que a guerra no Irã foi um motivo central do resultado nas urnas, e os dois secretários tiveram papel de destaque nesse conflito.

O que se sabe sobre Hegseth

  • Impeachment: deputados sugeriram levar adiante o pedido de abertura de processo contra o secretário, apresentado em setembro pelo republicano Thomas Massie, crítico de Trump. Segundo a reportagem, o pedido poderia ser levado a plenário já na semana que vem. Pedido não é votação nem decisão da Câmara.
  • Argumentos do pedido: a ação cita o suposto exagero de Hegseth sobre a capacidade americana de vencer a guerra com rapidez e a defesa de uma escalada que teria comprometido parte do arsenal estratégico, sem sinal de que os bombardeios aproximavam o Irã de uma rendição. São alegações do autor do pedido.
  • Resposta do Pentágono: o porta-voz-chefe, Sean Parnell, afirmou em comunicado que o secretário está “100% comprometido” em chefiar o departamento até o fim do mandato de Trump e não vai se intimidar com “investigações falsas”.
  • Trump: em entrevista à ABC News, o presidente disse ter recebido ligações sobre o secretário de Estado, mas que pretende mantê-lo no cargo. A reportagem registra que a Casa Branca não fez movimento para responsabilizar Hegseth.

O que se sabe sobre Rubio

  • Relato contestado: fontes ouvidas por uma agência de notícias disseram que Rubio discutia com assessores opções para o futuro, inclusive deixar o governo. A porta-voz da Casa Branca, Beni Rae Harmony, chamou a informação de “farsa inventada”, espalhada por fontes anônimas. O OsPoderes já havia registrado o episódio na matéria de quinta (5).
  • Posição do secretário: em entrevista ao New York Times, Rubio disse não saber de onde partiu a informação e que “trabalhar para Trump até o fim do mandato” sempre foi seu plano.
  • Cálculo político: a reportagem observa que ministros costumam deixar o governo quando o mandato entra na fase final, e que uma saída tiraria Rubio do alvo imediato dos democratas, que, com mais força no Congresso, podem investigar iniciativas como os ataques a supostas embarcações do narcotráfico no Caribe. Quem fosse indicado para a vaga enfrentaria escrutínio ainda maior. Pessoas próximas a ele avaliam que pode ficar fora da disputa interna pela sucessão de Trump, sobretudo se Vance concorrer.

Outras mudanças no governo

  • Houve saídas de menor influência: o procurador Jason Reding Quiñones, designado para uma controversa investigação sobre suposta conspiração envolvendo adversários de Trump em Miami, e John Eisenberg, chefe da divisão de segurança nacional do Departamento de Justiça, renunciaram.
  • Um jornal americano publicou que Trump poderia afastar o general Dan Caine, chefe do Estado-Maior Conjunto, ou o almirante Brad Cooper, chefe do Comando Central, que orientaram a condução da guerra. A informação não foi confirmada pela Casa Branca nas fontes lidas.

O que está pendente

  • Se a Câmara levará o pedido contra Hegseth a plenário na semana que vem e com que resultado.
  • Se Rubio ou Hegseth permanecem no cargo; até a madrugada de sábado (7), ambos e a Casa Branca negavam saídas.

Para o contexto da derrota republicana e da política externa, veja o que dizem analistas e o efeito sobre a pressão de Trump sobre o Brasil.

A foto é de arquivo (22/10/2025) e não registra os fatos desta semana.

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