Integrantes do governo já admitem, nos bastidores, adiar a implementação da reforma tributária, que entra em vigor em 1º de janeiro, segundo reportagem do dia 6 de novembro de 2026. A informação é atribuída a fontes do governo não identificadas, e não há decisão anunciada nem confirmação oficial de que o adiamento será proposto ao Congresso.
As três condições
- Prazo curto: um adiamento não superior a seis meses.
- Acordo com o Congresso: a mudança teria de ser combinada com deputados e senadores.
- Sem mexer no mérito: o texto já aprovado da reforma não seria alterado.
Por que a ideia surge
O principal motivo apontado é a pressão crescente de agentes econômicos diante da falta de clareza sobre alguns pontos da reforma e do pouco tempo que as empresas terão para se adaptar.
- Alíquota da CBS: a Contribuição sobre Bens e Serviços começa a valer em 1º de janeiro, mas a alíquota a ser paga ainda não está definida. O Tribunal de Contas da União (TCU) fixou a referência em 11,3%, acima da estipulada pelo Comitê Gestor, e ela precisa ser referendada pelo Senado até 15 de dezembro. A reportagem observa que o valor foi apresentado dois dias após o resultado eleitoral.
- Debate no Senado: nesta semana, o líder do MDB, senador Eduardo Braga (AM), disse que o índice precisaria ser discutido. O receio é que a aprovação saia perto da implementação e dificulte a adaptação das empresas, que teriam de rever preços e renegociar contratos.
- Sistemas: as empresas também apontam que o sistema de apuração assistida dos novos tributos não está plenamente operacional e que houve atrasos do poder público em definir parâmetros normativos e disponibilizar instrumentos operacionais.
O que ainda está em aberto
Segundo especialistas citados pela reportagem, continuam pendentes, entre outros pontos, a lista de produtos que terão o IPI zerado no próximo ano, a lista de benefícios de ICMS que darão acesso ao Fundo de Compensação de Benefícios e a abertura da apuração assistida ao público em geral, para testes.
A crítica à carga tributária
A reportagem registra a crítica de que a reforma aprovada no governo Lula resultará, ao fim, em aumento da carga tributária, e cita estimativa de especialistas de que o IVA final ficará acima de 30%, o que poderia torná-lo o maior do mundo, posto hoje ocupado pela Hungria, com 27%. É uma projeção de terceiros, não um dado oficial.
O que falta saber
Falta saber se o governo vai de fato propor o adiamento, por qual instrumento e com que prazo, e como reagirão o Congresso e o Senado, que precisa referendar a alíquota até 15 de dezembro. A reportagem não traz posição do Ministério da Fazenda nem do Congresso sobre a possibilidade.






















