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PSD quer manter ao menos três ministérios no governo Lula 4; Paes é cotado

Partido de Kassab mira Agricultura, Minas e Energia e pastas de força regional; Lula só deve definir a Esplanada depois da viagem à Turquia e às Filipinas, com volta prevista para 16 de novembro.

Eduardo Paes, então prefeito do Rio de Janeiro, em evento da Frente Nacional de Prefeitos na Câmara dos Deputados
Eduardo Paes, então prefeito do Rio de Janeiro, em evento da Frente Nacional de Prefeitos, em Brasília, em 4/7/2023. Foto de arquivo: Bruno Spada/Câmara dos Deputados — CC BY 3.0. A imagem não registra o fato atual. Origem da fotografia. Condição de uso.

O PSD espera manter pelo menos três ministérios no quarto governo de Luiz Inácio Lula da Silva e mira pastas com força regional, segundo correligionários e dirigentes do partido ouvidos pela reportagem. Hoje a sigla comanda Minas e Energia, Agricultura e Pesca, desde janeiro de 2023. Um correligionário avalia como difícil que a participação encolha, “dado o peso e a lealdade nas votações pró-governo”. Trata-se de expectativa e de articulação de bastidor: não há decisão de Lula.

O que o PSD busca

Os políticos ouvidos citam a manutenção da Agricultura, pelo volume de emendas para estradas vicinais e compra de máquinas agrícolas e pelas 27 superintendências estaduais, e de Minas e Energia, pasta considerada estratégica, com agências reguladoras e concessões, e que deve ganhar peso com a política de minerais críticos. Para Agricultura, os cotados são o atual ministro André de Paula e o ex-ministro e senador Carlos Fávaro.

Na Pesca, o partido quer uma pasta de maior peso político e cita Transportes (hoje do MDB), Integração e Desenvolvimento Regional (ligada ao PDT) e Cidades (MDB). O ex-prefeito do Rio Eduardo Paes é apontado como o nome do PSD favorito a um ministério, com Cidades entre as possibilidades aventadas. Paes apoiou Lula e foi derrotado no primeiro turno por Douglas Ruas (PL) na disputa pelo governo do Rio; o PSD ainda tenta, na Justiça, garantir um segundo turno no estado.

Por que o PSD pode ganhar espaço

O PSD foi neutro no segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Há, na cúpula do PT, a compreensão de que é preciso dar mais espaço ao partido do que no terceiro mandato para ter o seu apoio num Congresso com mais parlamentares de oposição. O presidente do PSD, Gilberto Kassab, disse no domingo (1º) que pode apoiar Lula se ele fizer um governo voltado ao centro, com diretrizes claras na economia, e que o presidente precisa encontrar a sua “dupla Meirelles-Palocci”.

Lula adia a definição

Segundo relatos de interlocutores do governo, Lula só deve avançar na definição do ministério depois da viagem à Turquia e às Filipinas. Ele embarca na segunda-feira (9); participa da COP31, em Antália, nos dias 11 e 12, e da cúpula da Asean, em Manila, de 13 a 15, com retorno previsto para 16 de novembro. Lula convidou os presidentes do Senado, Davi Alcolumbre, e da Câmara, Hugo Motta, para acompanhá-lo; os dois ainda não responderam.

Aliados avaliam que a montagem da equipe só ganhará forma depois que Lula decidir quem comandará a Fazenda e qual será a política fiscal do mandato. Por orientação do presidente, o presidente do PT, Edinho Silva, conversa com dirigentes de MDB, PSD, Republicanos, PP e, em breve, União Brasil, Podemos e Avante, numa estratégia de negociar com as cúpulas, e não com as bancadas. Segundo relatos, ele discute aproximação e cobra mais fidelidade nas votações, sem avanço sobre cargos. Aliados de Lula veem MDB e PSD com mais chances de ganhar espaço; no entorno do presidente há mais cautela com Republicanos, União Brasil e PP.

O que falta

Não há definição de nomes nem de pastas. A composição depende da escolha do ministro da Fazenda e da política fiscal, que Lula não anunciou.

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