O PSD espera manter pelo menos três ministérios no quarto governo de Luiz Inácio Lula da Silva e mira pastas com força regional, segundo correligionários e dirigentes do partido ouvidos pela reportagem. Hoje a sigla comanda Minas e Energia, Agricultura e Pesca, desde janeiro de 2023. Um correligionário avalia como difícil que a participação encolha, “dado o peso e a lealdade nas votações pró-governo”. Trata-se de expectativa e de articulação de bastidor: não há decisão de Lula.
O que o PSD busca
Os políticos ouvidos citam a manutenção da Agricultura, pelo volume de emendas para estradas vicinais e compra de máquinas agrícolas e pelas 27 superintendências estaduais, e de Minas e Energia, pasta considerada estratégica, com agências reguladoras e concessões, e que deve ganhar peso com a política de minerais críticos. Para Agricultura, os cotados são o atual ministro André de Paula e o ex-ministro e senador Carlos Fávaro.
Na Pesca, o partido quer uma pasta de maior peso político e cita Transportes (hoje do MDB), Integração e Desenvolvimento Regional (ligada ao PDT) e Cidades (MDB). O ex-prefeito do Rio Eduardo Paes é apontado como o nome do PSD favorito a um ministério, com Cidades entre as possibilidades aventadas. Paes apoiou Lula e foi derrotado no primeiro turno por Douglas Ruas (PL) na disputa pelo governo do Rio; o PSD ainda tenta, na Justiça, garantir um segundo turno no estado.
Por que o PSD pode ganhar espaço
O PSD foi neutro no segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Há, na cúpula do PT, a compreensão de que é preciso dar mais espaço ao partido do que no terceiro mandato para ter o seu apoio num Congresso com mais parlamentares de oposição. O presidente do PSD, Gilberto Kassab, disse no domingo (1º) que pode apoiar Lula se ele fizer um governo voltado ao centro, com diretrizes claras na economia, e que o presidente precisa encontrar a sua “dupla Meirelles-Palocci”.
Lula adia a definição
Segundo relatos de interlocutores do governo, Lula só deve avançar na definição do ministério depois da viagem à Turquia e às Filipinas. Ele embarca na segunda-feira (9); participa da COP31, em Antália, nos dias 11 e 12, e da cúpula da Asean, em Manila, de 13 a 15, com retorno previsto para 16 de novembro. Lula convidou os presidentes do Senado, Davi Alcolumbre, e da Câmara, Hugo Motta, para acompanhá-lo; os dois ainda não responderam.
Aliados avaliam que a montagem da equipe só ganhará forma depois que Lula decidir quem comandará a Fazenda e qual será a política fiscal do mandato. Por orientação do presidente, o presidente do PT, Edinho Silva, conversa com dirigentes de MDB, PSD, Republicanos, PP e, em breve, União Brasil, Podemos e Avante, numa estratégia de negociar com as cúpulas, e não com as bancadas. Segundo relatos, ele discute aproximação e cobra mais fidelidade nas votações, sem avanço sobre cargos. Aliados de Lula veem MDB e PSD com mais chances de ganhar espaço; no entorno do presidente há mais cautela com Republicanos, União Brasil e PP.
O que falta
Não há definição de nomes nem de pastas. A composição depende da escolha do ministro da Fazenda e da política fiscal, que Lula não anunciou.





















