Economia

Banco da Inglaterra sobe juros a 4% e vê inflação perto de 5% em 2027

Comitê votou por 8 a 1 pela alta de 0,25 ponto, a primeira desde agosto de 2023; um membro queria 0,50. O banco culpa a energia cara, com a guerra no Oriente Médio no nono mês.

Fachada de pedra do edifício do Banco da Inglaterra, na Threadneedle Street, em Londres, com pedestres na calçada
Sede do Banco da Inglaterra, na Threadneedle Street, em Londres, em 2013. Foto de arquivo: Steve Daniels — CC BY-SA 2.0. A imagem não registra a decisão desta quinta. Origem da fotografia. Condição de uso.

O Banco da Inglaterra elevou a taxa básica de juros de 3,75% para 4% ao ano na quinta-feira (5), em decisão do Comitê de Política Monetária por 8 votos a 1. É a primeira alta desde agosto de 2023. Um dos integrantes, Catherine Mann, votou por um aumento maior, de 0,50 ponto percentual, que levaria a taxa a 4,25%.

No resumo da decisão, o comitê afirma que o conflito no Oriente Médio, agora no nono mês, manteve os preços globais de energia em alta, e que a inflação ao consumidor no Reino Unido subiu a 3,5% em setembro, contra a meta de 2%. O banco projeta que o índice chegue a cerca de 4,5% no primeiro trimestre de 2027 e a perto de 5% no segundo, antes de recuar à medida que o efeito da energia sobre a taxa em 12 meses se dissipar e o aperto monetário continuar a pesar.

O que pesou na decisão

  • Energia: nos 15 dias úteis anteriores a 27 de outubro, o petróleo Brent teve média de US$ 108 por barril e o gás natural no Reino Unido, de 216 pence por therm; os valores ficaram 38% e 81% acima dos usados na projeção de julho.
  • Pressão ainda indireta: o comitê diz haver pouca evidência de que a alta da energia já tenha se espalhado para outros preços e salários, mas que a pressão acumulada é suficiente para justificar a alta dos juros.
  • Atividade: os dados de atividade dos últimos meses vieram mais fortes do que o esperado, o que reforçou o argumento por uma política um pouco mais apertada, segundo o texto da decisão.

O que vem a seguir

O banco diz que a política monetária “não está em trajetória pré-definida” e que o comitê avaliará os dados a cada reunião, acompanhando salários, formação de preços e capacidade ociosa. O objetivo declarado é fazer a inflação voltar à meta de 2% no médio prazo. A taxa estava em 3,75% desde dezembro de 2025; o pico recente foi 5,25%, entre agosto de 2023 e junho de 2024.

Para o leitor brasileiro, a decisão é mais um sinal de que o choque de energia ligado à guerra no Oriente Médio segue pressionando bancos centrais no exterior. Esta matéria não trata de efeito sobre a Selic ou sobre o câmbio, que dependem de outras decisões e não foram analisados na decisão inglesa.

Foto de arquivo da sede do Banco da Inglaterra, em Londres, de 2013; a imagem não registra a decisão desta quinta.

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