O Banco da Inglaterra elevou a taxa básica de juros de 3,75% para 4% ao ano na quinta-feira (5), em decisão do Comitê de Política Monetária por 8 votos a 1. É a primeira alta desde agosto de 2023. Um dos integrantes, Catherine Mann, votou por um aumento maior, de 0,50 ponto percentual, que levaria a taxa a 4,25%.
No resumo da decisão, o comitê afirma que o conflito no Oriente Médio, agora no nono mês, manteve os preços globais de energia em alta, e que a inflação ao consumidor no Reino Unido subiu a 3,5% em setembro, contra a meta de 2%. O banco projeta que o índice chegue a cerca de 4,5% no primeiro trimestre de 2027 e a perto de 5% no segundo, antes de recuar à medida que o efeito da energia sobre a taxa em 12 meses se dissipar e o aperto monetário continuar a pesar.
O que pesou na decisão
- Energia: nos 15 dias úteis anteriores a 27 de outubro, o petróleo Brent teve média de US$ 108 por barril e o gás natural no Reino Unido, de 216 pence por therm; os valores ficaram 38% e 81% acima dos usados na projeção de julho.
- Pressão ainda indireta: o comitê diz haver pouca evidência de que a alta da energia já tenha se espalhado para outros preços e salários, mas que a pressão acumulada é suficiente para justificar a alta dos juros.
- Atividade: os dados de atividade dos últimos meses vieram mais fortes do que o esperado, o que reforçou o argumento por uma política um pouco mais apertada, segundo o texto da decisão.
O que vem a seguir
O banco diz que a política monetária “não está em trajetória pré-definida” e que o comitê avaliará os dados a cada reunião, acompanhando salários, formação de preços e capacidade ociosa. O objetivo declarado é fazer a inflação voltar à meta de 2% no médio prazo. A taxa estava em 3,75% desde dezembro de 2025; o pico recente foi 5,25%, entre agosto de 2023 e junho de 2024.
Para o leitor brasileiro, a decisão é mais um sinal de que o choque de energia ligado à guerra no Oriente Médio segue pressionando bancos centrais no exterior. Esta matéria não trata de efeito sobre a Selic ou sobre o câmbio, que dependem de outras decisões e não foram analisados na decisão inglesa.
Foto de arquivo da sede do Banco da Inglaterra, em Londres, de 2013; a imagem não registra a decisão desta quinta.




















