A oposição paraguaia protocolou nesta quarta-feira (4) um pedido de impeachment contra o presidente Santiago Peña e o vice, Pedro Alliana, um dia depois de o Banco Central do país assumir o controle do Ueno Bank, banco digital ligado ao presidente. A informação foi confirmada à AFP por uma fonte do Legislativo.
O que aconteceu com o banco
- O conselho do Banco Central votou por unanimidade, na noite de segunda-feira (2), colocar o Ueno em processo de resolução, com a gestão entregue a funcionários encarregados de avaliar as finanças e proteger os ativos. Na terça (3), a autoridade monetária assumiu a instituição.
- As operações digitais, incluindo saques e transferências, foram paralisadas, e os resgates em diversos fundos ligados ao banco foram suspensos por causa da incerteza sobre o valor e a liquidez desses ativos. O Banco Central cita grave insuficiência de capital e diz que a medida busca proteger os depositantes e preservar a estabilidade do sistema financeiro.
- O Ueno tem cerca de 3 milhões de clientes, quase metade dos 6,4 milhões de paraguaios, e algumas contas de órgãos públicos também ficaram bloqueadas.
- Oito executivos ligados ao banco foram presos na terça por suspeita de fraude financeira, entre eles o presidente da instituição, Juan Manuel Gustale, e o diretor executivo, Federico Miguel Vázquez Villasan, que até pouco tempo atrás era sócio comercial de Peña. As defesas não aparecem nas fontes consultadas.
- Carlos Carvallo renunciou à presidência do Banco Central, cargo que assumiu depois de comandar o Ueno. Peña nomeou Raúl Vera Bogado para o lugar e indicou outros dois diretores, Pedro Acosta e Étsel González.
Protestos e o pedido de impeachment
O anúncio provocou corrida a outras instituições, como o Banco Familiar, e protestos em Assunção, inclusive diante da residência oficial de Peña. Em algumas áreas houve confrontos com a polícia, e um grupo que tentou avançar rumo à sede do Congresso foi contido.
O deputado Mauricio Espínola, dissidente da base governista, disse que o documento reuniu 35 assinaturas e que a sessão para discuti-lo está convocada para quinta-feira (5), às 10h (mesmo horário de Brasília). A petição acusa Peña de “mau desempenho de suas funções”, com menção a conflito de interesses e a questões sobre a evolução do patrimônio dele.
Qual o caminho e o que pesa
Pela regra descrita nas fontes, a Câmara precisa de 53 votos entre 80 deputados para aprovar o pedido; se isso ocorrer, o Senado conduz o julgamento, e a destituição exige 30 votos entre 45 senadores. O Partido Colorado, de Peña, tem maioria própria nas duas Casas, mas é presidido pelo ex-presidente Horacio Cartes, hoje afastado de Peña e peça-chave para definir a posição da base.
Peña, que assumiu em 2023 com mandato até 2028, tinha ações de um grupo que controlava o Ueno e se desvinculou delas em 2025. Ele cancelou uma viagem à Espanha, onde iria à Cúpula Ibero-Americana, e disse compreender a incerteza dos poupadores. Nas fontes consultadas, não há resposta dele às acusações do pedido de impeachment. Um pedido apresentado não é decisão: nada está votado.






















