EUA

Juíza bloqueia por 14 dias a obra do arco de 76 metros proposto por Trump

Ordem temporária de Tanya Chutkan saiu horas depois de comissão federal aprovar o projeto por 8 votos a 4; Virgínia e o Distrito de Colúmbia contestam a obra na Justiça.

Vista aérea da Ponte Memorial de Arlington sobre o rio Potomac, com rotatória em primeiro plano, o Memorial Lincoln e o Monumento a Washington ao fundo
Ponte Memorial de Arlington e a rotatória em sua ponta, com o Memorial Lincoln e o Monumento a Washington ao fundo, em 2011. Foto de arquivo: National Park Service (EUA) — domínio público. A imagem não mostra o arco nem a obra. Origem da fotografia.

A juíza distrital Tanya Chutkan, de Washington, emitiu nesta sexta-feira (6) uma ordem temporária de 14 dias que impede o início da construção do “Arco do Triunfo” de 76 metros de altura proposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A decisão veio logo depois de a Comissão de Planejamento da Capital Nacional aprovar o projeto, por 8 votos a 4, após ouvir cerca de 100 opositores, entre eles parlamentares democratas.

O Serviço Nacional de Parques também informou, na noite de quinta-feira (5), que aprovou o projeto. O governo Trump sustenta que o Congresso autorizou o arco há mais de 100 anos, quando aprovou a construção de uma ponte sobre o rio Potomac.

O que diz a juíza

Chutkan escreveu que a “absoluta improbabilidade” de uma lei centenária conter uma autorização, “desconhecida por todas as administrações anteriores”, para erguer um arco de 250 pés num local de destaque na capital mostra o quanto o governo precisa se esforçar para justificar o projeto. Ela também afirmou que a obra, de cerca de três anos, causaria transtornos ao tráfego, ruído e escavações em larga escala.

O que estava previsto

O Departamento de Justiça havia informado que, com a aprovação, as obras de escavação e fundações poderiam começar já na quinta-feira e durariam de seis a oito meses. A estrutura acima do solo começaria, no mínimo, em maio de 2027, com duração total estimada entre 33 e 39 meses.

A disputa na Justiça

O estado da Virgínia e o Distrito de Colúmbia entraram na Justiça no sábado (31) contra o Serviço Nacional de Parques e o Departamento do Interior para impedir o início da obra. Eles classificaram o projeto como “juridicamente indefensável” e argumentam que o Congresso não o aprovou. O deputado democrata Don Beyer, que representa o norte da Virgínia, afirmou que o arco causará engarrafamentos por anos, afetará o aeroporto próximo e trará ameaças à segurança pública.

Na segunda-feira (2), Trump disse que o arco também serviria às Forças Armadas, com capacidade para abrigar drones e atiradores de elite, e que será “o arco mais bonito do mundo”. O arco integra uma série de projetos que o presidente promove em Washington, como a reconstrução do espelho d’água do Memorial Lincoln, um salão de festas na Casa Branca e uma reforma do Kennedy Center.

O que falta

A ordem é temporária e não decide o mérito: o governo pode recorrer, e a Justiça ainda precisa analisar o pedido de Virgínia e do Distrito de Colúmbia. A obra não pode começar enquanto a ordem estiver em vigor.

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