A Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG) deve fechar 2026 em 83,7% do PIB, alta de 5,1 pontos percentuais sobre 2025, e continuar subindo até 89,7% em 2030, segundo o Relatório de Riscos Fiscais da União (RRFU), 8ª edição, da Secretaria do Tesouro Nacional, divulgado nesta terça-feira (3). Só depois disso o Tesouro projeta recuo gradual, até 86,3% em 2036.
A trajetória da dívida
Pelo cenário central do relatório, que usa as mesmas hipóteses do Anexo de Riscos Fiscais do projeto de diretrizes orçamentárias de 2027, a DBGG avança de 78,6% do PIB no início de 2026 para 83,7% no fim do ano, e depois para 86,5% (2027), 88,4% (2028), 89,6% (2029) e 89,7% (2030). O Tesouro atribui o aumento de 2026 principalmente ao diferencial entre a conta de juros e o crescimento do PIB: na tabela de fatores, os juros nominais somam 9,3% do PIB no ano, e o crescimento real da economia reduz a dívida em 1,7 ponto.
Cenários de risco
- Choques adversos combinados em juros, crescimento e resultado primário elevariam a DBGG em 17,1 pontos até 2036, para 103,4% do PIB.
- Um aumento de 0,5% do PIB ao ano no resultado primário reduziria a dívida de 86,3% para 81,1% do PIB em 2036; a piora equivalente a levaria a 91,5%.
- A combinação de melhora fiscal, mais crescimento e juros menores levaria a 71,3%, 15 pontos abaixo do cenário central.
Receitas e despesas sensíveis à economia
O documento diz que cerca de 94,6% da receita primária está sujeita à volatilidade do PIB, da inflação, da massa salarial, do câmbio, dos juros ou do preço do petróleo. Para as receitas administradas pela Receita Federal, 1 ponto percentual a mais no crescimento real do PIB representa R$ 16,6 bilhões; na inflação, R$ 15,0 bilhões; na massa salarial, R$ 8,0 bilhões; no câmbio, R$ 2,5 bilhões. Na despesa, 51,9% do gasto primário de 2025 cresceu por influência direta da inflação e do salário mínimo, e cada 0,1 ponto a mais na inflação pode ampliar em R$ 2,4 bilhões o limite de despesas do Executivo em 2027.
Riscos específicos: ações judiciais
A exposição da União a riscos fiscais específicos foi de cerca de R$ 4,87 trilhões em 2025, R$ 259,6 bilhões abaixo da de 2024. O principal item são as ações judiciais contra a União, de risco provável e possível: R$ 2,27 trilhões em 2025, queda de 14,6% sobre 2024, e R$ 2,19 trilhões em junho de 2026. O relatório adverte que a exposição não é despesa certa nem deve ser somada à dívida.
O que isso significa, e o que não significa
São projeções do Tesouro em cenário central, não resultados observados; mudam com juros, crescimento e meta fiscal. A divulgação ocorre na semana em que o Copom decide a Selic (veja o que o mercado espera) e em que o mercado revisou projeções para 2027 (Focus pós-eleição). Os números acima foram conferidos no PDF do relatório, de outubro de 2026, e coincidem com o resumo do Poder360, que noticiou a divulgação; o texto do Poder360 não menciona o pico de 89,7% em 2030, que consta do relatório.
Texto escrito por volta das 13h de 3 de novembro, com base no PDF do RRFU 2026 e na reportagem do Poder360 de 3/11 (12h13).






















