STF

PGR apoia quebra de sigilo da fonte de jornalista, pedida por Moraes

Parecer de Paulo Gonet sustenta que dados de carros oficiais de Flávio Dino podem ter exposto o ministro a risco; a defesa de Luis Pablo cita a proteção constitucional ao sigilo da fonte.

Montagem com dois retratos lado a lado: o ministro do STF Alexandre de Moraes, falando ao microfone, e o procurador-geral da República, Paulo Gonet
Montagem de duas fotografias: Alexandre de Moraes (Luiz Silveira/STF, 29/7/2026, domínio público) e Paulo Gonet (Agência Senado, 3/2/2025, CC BY 2.0). Origem da foto de Moraes. Origem da foto de Gonet. Condição de uso.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) endossou o pedido do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, para quebrar o sigilo da fonte do jornalista maranhense Luis Pablo, segundo reportagem da CNN Brasil publicada no sábado (31). O caso integra o inquérito das fake news e tem origem em reportagens sobre o uso de carros oficiais pelo ministro Flávio Dino e por familiares dele.

O que diz o parecer da PGR

O procurador-geral, Paulo Gonet, apoiou-se no artigo 43 do Regimento Interno do STF, que trata do poder de polícia da Corte diante de infrações penais que afetem sua esfera institucional. Segundo a CNN, que afirma ter tido acesso ao parecer, a PGR escreveu que obter e divulgar dados de um veículo poderia expor a risco a integridade física de um integrante do tribunal, e que há fundamento para manter os procedimentos sob supervisão do Supremo pelo tempo necessário às diligências.

Gonet também reafirmou, conforme a reportagem, que o Judiciário pode intervir caso haja abuso da prerrogativa de informar. Sobre a acusação de que o jornalista teria cobrado R$ 100 mil para publicar os textos, a PGR avaliou que a quebra de sigilo ajudaria a esclarecer se houve relação financeira para obter ou divulgar informações reservadas.

O que a defesa sustenta

Os advogados de Luis Pablo afirmam que a conduta investigada não configura crime e que os dados extraídos foram obtidos e usados contra a garantia do sigilo da fonte. Depois do parecer, enviaram ao presidente do STF, Edson Fachin, novo ofício contra a medida. Argumentam que uma reportagem sobre patrimônio público não indica perseguição política a Dino e que a ordem de revelar a fonte só é compatível com a liberdade de expressão se houver exigência preponderante de interesse público. Segundo a CNN, a defesa pede ainda proteção às conversas com fontes e advogados, o arquivamento definitivo das investigações e o envio do processo à primeira instância.

O que já havia sido decidido

Em março, Moraes determinou busca e apreensão de celulares e notebooks na casa do jornalista, com o argumento de que o autor das publicações teria usado algum mecanismo estatal para identificar os veículos. O ministro também determinou busca contra o ex-secretário Raimundo Cutrim, apontado como a fonte das reportagens. Ele está preso sob a acusação de obstruir uma investigação de homicídio, que nega, e a CNN diz não ter conseguido contato com a defesa dele.

Fachin determinou que a PGR avaliasse o caso depois dos argumentos da defesa. Um relatório da Polícia Federal, citado pela CNN, diz não haver indício de crime de violação de sigilo funcional por parte do jornalista e que não é possível apontar com máxima certeza que ele recebeu dinheiro para publicar reportagens contra Dino.

O que ainda não se sabe

A decisão final sobre a quebra do sigilo depende do Supremo; as fontes lidas não informam prazo nem quem a tomará. Esta matéria se baseia na reportagem da CNN Brasil: o parecer da PGR e os documentos da defesa não foram consultados diretamente. Leia também sobre outra decisão de Moraes.

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