O principal desafio do novo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) será conseguir aprovar no Congresso as medidas fiscais, num Legislativo que “se deslocou para a direita”. A avaliação é de William Foster, vice-presidente sênior da agência de classificação de risco Moody’s Ratings, em entrevista ao CNN Money, publicada nesta sexta-feira (30).
O que ele disse sobre o Congresso
Para Foster, não basta elaborar boas políticas e conquistar a credibilidade do mercado: é preciso aprovar a legislação que as sustente. Ele afirmou que o desafio será maior que o do mandato anterior, por causa da mudança na composição do Legislativo, e que Lula precisará negociar acordos com o centro. Propostas de emenda à Constituição exigem três quintos dos votos de deputados e senadores.
Nota de crédito e despesas
A Moody’s mantém a nota soberana do Brasil em Ba1, um degrau abaixo do grau de investimento, com perspectiva estável. Segundo Foster, a evolução da política fiscal será o principal fator para uma eventual mudança. Ele defendeu rever o crescimento das despesas obrigatórias, muitas corrigidas pelo salário mínimo e pela inflação, o que, na avaliação dele, poderia reduzir os déficits primários e, no futuro, estabilizar a dívida.
Juros e dívida
O executivo apontou o custo de financiamento da dívida como outra preocupação: os pagamentos de juros equivalem a cerca de 20% das receitas públicas e superam 8% do PIB, e mais de 40% da dívida está ligada a taxas flutuantes vinculadas à Selic. Com prazo médio da dívida em torno de quatro anos, disse, o país é mais vulnerável a juros altos por períodos longos. Segundo ele, a relação entre dívida pública e PIB passou de cerca de 72% para 83% nos últimos anos.
Foster vê possibilidade de redução gradual dos juros se houver reequilíbrio fiscal, que daria mais confiança ao Banco Central para cortar a taxa. Ele também alertou para o risco de dominância fiscal, quando as pressões das contas públicas dificultam a condução da política monetária.
O que fica de fora
A fala é de um executivo de uma agência, e não uma decisão da Moody’s sobre a nota do Brasil. A entrevista não anuncia revisão de classificação nem prazo para ela. Os números citados são do entrevistado e não foram conferidos em série oficial por este portal.
Fonte: entrevista exclusiva ao CNN Money, da CNN Brasil, publicada em 30/10/2026 às 4h31, lida por este portal às 18h.






















